quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Especial coleta “Pró Terra Santa”, 13 de setembro

 


As ofertas recolhidas em todo o mundo em 13 de setembro constituem a “Coleta Pró Terra Santa”, uma ajuda que há séculos se destina aos cristãos do Oriente Médio. Para esta ocasião, acompanhados pelo Custódio da Terra Santa, Fr. Francesco Patton, oferecemos-lhe um especial dedicado à história e às atividades da Custódia, que há mais de 800 anos se compromete a sustentar a presença cristã na terra de Jesus. Apresentamos um especial realizado por Christian Media Center.

Especial Coleta “pró terra santa”

Fr. FRANCESCO PATTON, ofm – Custódio da Terra Santa

“Preservar a história, guardar a história significa guardar a memória. O nosso é um tempo que vive muito no presente e, portanto, mesmo as pessoas, as escolhas que as pessoas fazem, ou mesmo as comunidades, os povos e nações, hoje tendem a esquecer a própria história, a perder as próprias raízes. A memória, a história, as raízes são fundamentais”.

História, raízes, memória: as da Custódia da Terra Santa remontam há mais de 800 anos. Quando São Francisco de Assis enviou seus frades para estabelecer a “Província de Além Mar”. Pouco depois, eles mesmos receberiam um mandato claro: guardar – em nome da Igreja Católica – os Lugares Santos, testemunhas da vida, morte e Ressurreição de Jesus.

Fr. FRANCESCO PATTON, ofm – Custódio da Terra Santa

Nós temos em nossos arquivos documentos muito preciosos: as bulas papais – incluindo a bula de 1342 com a qual o Papa Clemente VI, de Avinhão, na prática, estabelece a Custódia da Terra Santa -, mas também as bulas anteriores. Para nós têm um duplo valor: por um lado, remetem à nossa história, por outro, têm um valor muito concreto porque nos permitem documentar a nossa presença… também quando, às vezes, acontecem algumas disputas, que requerem a apresentação dos documentos que demonstram porque estamos aqui.

Um dos momentos chave desta longa história é representado pelo encontro de 1219 entre São Francisco e o Sultão do Egito Al Malek Al Kamel em Damietta, no Delta do Nilo. Enquanto a Quinta Cruzada se alastrava por todos os lados, esse diálogo pacífico entre dois mundos moldou profundamente o estilo dos frades da Custódia.

Fr. FRANCESCO PATTON, ofm – Custódio da Terra Santa

As indicações que Francisco dá são sucessivas ao encontro com Sultão. Sobretudo a primeira parte em que diz “não fazer litígios ou disputas” e de colocar-se à serviço de todos com uma clara identidade cristã, parece-me ser uma indicação que, para nós, ao longo destes oito séculos, realmente serviu como uma diretriz.

AS NOVAS GERAÇÕES

A educação e o crescimento das novas gerações são alguns dos campos aos quais a Custódia da Terra Santa dedica maior atenção. Uma atividade diária que se concretiza nas 15 escolas que dirige em 5 países, frequentadas por 11.000 alunos e 1.100 professores.

As escolas são instrumentos fundamentais para garantir à população local a possibilidade de acesso à formação cristã – de outra forma impossível de se encontrar nesta terra – mas ao mesmo tempo são lugares nos quais se vive o encontro com os alunos e professores de outras religiões e confissões cristãs.

Fr. FRANCESCO PATTON, ofm – Custódio da Terra Santa

“Em muitas de nossas escolas há um forte componente muçulmano, ainda assim é possível compartilhar, viver juntos. Com os cristãos de outras confissões fazemos juntos a hora da religião: e é uma hora da religião cristã, de uma perspectiva ecumênica, onde se busca também conhecer algumas diferenças e particularidades que uma Igreja tem em relação à outra”.

Fr. IBRAHIM FALTAS, ofm – Diretor das Escolas Terra Santa

“Há uma bela convivência e um belo diálogo ecumênico em nossas escolas. Vivemos essa convivência praticamente todos os dias”.

Um cuidado amoroso, dos franciscanos, que não negligenciam nem mesmo os alunos com necessidades especiais: eles são acolhidos nas escolas para que possam superar as suas dificuldades e dar um sorriso aos seus rostos.

A pandemia do Coronavirus não conseguiu impedir a atividade educacional franciscana. Por meio da educação a distância, os professores conseguiram transpor as barreiras do medo e por meio de sua competência continuaram dando aulas aos alunos, obtendo resultados realmente satisfatórios.

As Escolas Terra Santa cobrem todos os níveis escolares, do jardim de infância ao ensino superior. A maior parte dos estudantes continua então a própria carreira escolar na universidade.

Fr. IBRAHIM FALTAS, ofm – Diretor das Escolas Terra Santa

“Frequentemente temos alunos que entram com três anos de idade e seguem até concluir os estudos universitários. Também oferecemos muitas bolsas”.

GEORGE HLEIS

“Eu terminei a universidade ano passado … ali mesmo, no Monte das Oliveiras”

O objetivo é claro: permitir que os cristãos locais estudem em sua própria terra, para evitar que decidam se mudar para o exterior para se formar e, depois, talvez, para viver.

Todos os anos, um total de 500 bolsas são concedidas, mantidas por dois programas diferentes que cobrem a totalidade ou parte das despesas escolares.
O público-alvo são os alunos com baixo nível de renda familiar que mantêm uma média de notas elevada.

Fr. PETER VASKO, ofm – Custódia Terra Santa – Fundação Franciscana para a Terra Santa

95% desses estudantes agora trabalham nos setores jurídico, médico, contábil e de engenharia. E quando vemos os jovens se profissionalizando e sendo verdadeiramente gratos à Custódia Franciscana, nosso coração se enche de alegria.

GEORGE HLEIS

Há muitos jovens que não gostam da situação atual, gostariam de ir para o exterior em busca de melhores oportunidades. Também pensei nisso, mas amo estar na terra onde Jesus viveu.

Fr. PETER VASKO, ofm – Custódia Terra Santa – Fundação Franciscana para a Terra Santa

É extremamente importante perceber que, se queremos que os cristãos fiquem aqui, devemos dar-lhes uma motivação, incentivos: essa motivação e esses incentivos surgem da possibilidade de acesso ao ensino universitário.

Fr. FRANCESCO PATTON, ofm – Custódio da Terra Santa

Entre as escolas há uma, a escola de música “Magnificat”, que tem a particularidade de ver juntos judeus, cristãos e muçulmanos. E isso ajuda a compreender ainda mais o valor que têm não apenas as escolas, mas também as artes, porque através da música se cria o diálogo, através da música e através daquele que o Papa João Paulo II chamou de “o caminho da beleza”, “o caminho da ‘arte’, se chega ao compartilhamento de valores e também ao fazer juntos, algo de muito belo.

Fr. ALBERTO PARI, ofm – Diretor da escola de música “Magnificat”

É um grande projeto da Custódia da Terra Santa, e é uma escola aberta a todos: a maioria dos alunos é cristã, mas também há muçulmanos e judeus. Temos a grande esperança de formar uma geração de músicos sem fronteiras.

UMA CASA PARA OS MAIS NECESSITADOS

As pedras e as pessoas, o azeite e a casa … e a gratidão em virtude da missão dos Frades franciscanos. Se em meados do século passado a Custódia da Terra Santa oferecia “pão e azeite” como ajuda quotidiana nas suas paróquias, hoje, por conta das diferentes necessidades da população, fornecer alojamento ou uma habitação para uma vida digna tornou-se um meio de manter viva a presença cristã na Terra Santa.

GRAZIELLA QAMAR – Moradora da cidade antiga de Jerusalém

“Esta casa é toda a minha vida. Esta casa é um lugar especial para mim e não poderia nunca deixá-la. Meu filho Musa tentou várias vezes me persuadir a ir morar fora do país, mas sempre respondi com recusa absoluta”.

A Custódia da Terra Santa oferece mais de 582 casas em Jerusalém – distribuídas dentro e ao redor da cidade antiga – Também 72 casas em Belém, abrigando cerca de 2.050 pessoas.

Até o momento são mais de 700 os pedidos de moradia, dos quais pelo menos 250 são urgentes.

Os frades franciscanos na Terra Santa não se limitam apenas a guardar e conservar as Pedras desses lugares, mas também cuidam das pedras vivas, isto é, dos cristãos locais e especialmente daqueles que se encontram em condições difíceis. Um exemplo desse compromisso é representado pela Casa da Criança de Belém, fundada em 2007, que hoje acolhe mais de 24 crianças e adolescentes que se encontram em condições particulares de vulnerabilidade social.

JOSEPH SAYEH – Belém

“Meu pai está doente, tem muitos problemas de saúde e não trabalha. Graças a Deus minha mãe encontrou um emprego recentemente. Nossa casa é muito pequena e todos juntos não cabemos nela, mas graças a Deus comemos, bebemos e estamos vivos”.

Os frades franciscanos vivem e trabalham em alguns dos contextos de crise mais difíceis do mundo, como a Síria. A Custódia da Terra Santa também está presente aqui, onde é ainda mais forte o empenho para estar junto da população – em particular a cristã – atingida pela guerra e por uma grave crise econômica, pelas perseguições e pelas dificuldades de ser minoria, que levam centenas de milhares de pessoas a fugir.

Fr. FRANCESCO PATTON, ofm – Custódio da Terra Santa

“É preciso também levar em conta o dar a vida: os frades ao longo da história o fizeram de muitas maneiras, o fizeram enquanto permaneciam em momentos difíceis de perseguição, em momentos de pandemia como os da peste e da cólera . Hoje nos encontramos em outro momento difícil, porque justamente para quem está na Síria o problema da guerra e da crise econômica também se soma o problema da pandemia”.

A falta de um bem essencial, como uma casa para morar, afetou nas últimas semanas a capital libanesa, Beirute, onde a terrível explosão de agosto que destruiu a área ao redor do porto gerou 300.000 desalojados. A Custódia, presente no Líbano com quatro conventos, está fazendo todo o possível para dar sua própria contribuição ativa à reconstrução.

Na Síria, desde 2017, a Custódia ajuda a população local a reconstruir ou reformar as casas atingidas pela longa guerra iniciada em 2011. O faz em pequenas cidades por meio dos párocos, e em particular em Aleppo em colaboração com a Associação Pró Terra Sancta. Já são 700 as casas reconstruídas.

Moradora
“Após a explosão, todo o prédio desabou, não sobrou nada. Felizmente, naquele momento, não estávamos por perto. Não conseguimos tirar nada da nossa casa. Fugimos e alugamos outro apartamento”. “Estávamos em casa quando a parede caiu. Era uma hora da tarde… uma sexta-feira … de 2013. Logo após o desabamento fugimos. Agora estamos felizes, muito felizes”

SANTUÁRIOS E PEREGRINOS

Mas a primeira e fundamental missão dos franciscanos permanece sempre a mesma: guardar os Lugares Santos. São 80 os santuários presentes nas atuais fronteiras de Israel, Palestina, Jordânia e Síria.

Fr. FRANCESCO PATTON, ofm – Custódio da Terra Santa</b.

“Nós devemos sempre lembrar aquele que é o mandato do Papa Clemente VI de 1342, que nos pede para estar nos santuários, para habitar nos santuários”.

Do Monte Nebo, lugar de onde Moisés contemplou a Terra Prometida …
…aos santuários da vida, paixão e morte de Jesus

Jerusalém é considerada o coração da Terra Santa

No Monte das Oliveiras, os Santuários da Paixão: o pranto e o lamento de Jesus sobre Jerusalém são celebrados na igreja do Dominus Flevit, que oferece uma das vistas mais significativas da Cidade Santa.

Poucos metros abaixo, ao lado do jardim das oliveiras, está a Basílica do Getsêmani, lugar da agonia de Jesus na Sexta-Feira Santa antes de ser preso.

Dentro das Muralhas de Jerusalém, os peregrinos repercorrem as XIV estações da Via Crucis. Uma prática iniciada pelos franciscanos em 1600 e que se repete todas as sextas-feiras até hoje.

Mas, para os cristãos, Jerusalém tem um coração: a Basílica do Santo Sepulcro, onde estão o Calvário e o Túmulo de Cristo.

A abertura da Basílica acontece bem cedo, às 4 da manhã: as três comunidades cristãs por ela responsáveis – a católica ou latina, representada pelos frades franciscanos, os ortodoxos gregos e os armênios – juntas abrem suas grandes portas: dia e noite celebram alternadamente nas diferentes partes da igreja e nos espaços comuns como o Túmulo e o Calvário.

No entanto, depois de anos de fortíssimo crescimento, em 2020 o número de peregrinos foi a zero devido à propagação do Coronavirus e o conseqüente fechamento das fronteiras: não há mais grupos em toda a Terra Santa, não há mais longas filas para acessar os santuários, que por muito tempo permaneceram fechados aos fiéis e que agora aparecem quase vazios … assim como as ruas das cidades.

Fr. SALVADOR ROSAS FLORES, ofm – Presidente Convento Santo Sepulcro

“A esperança sempre nos acompanhou, apesar de a porta estar fechada, a esperança de abri-la, de acolher de novo os cristãos, de mostrar os lugares santos, de os levar nós mesmos ao interior. Esta esperança permanece entre nós, entre nós frades, entre os cristãos. Devemos ser cautelosos, é claro, o Senhor muito nos recomenda. A esperança terá que ser enriquecida com o tempo”.

A pagar pelas consequências da pandemia está também a rede das “Casas Novas”, que são geridas pela Custódia criadas precisamente para acolher um número de peregrinos que continuaram a crescer nas últimas décadas.

Fr. IBRAHIM FALTAS, ofm – Diretor Casa Nova – Jerusalém

“Casa Nova, a casa dos peregrinos. A Casa Nova é o lugar preferido de todos os peregrinos que vêm visitar a Terra Santa, os Lugares Sagrados. Temos Casas em Jerusalém, Belém, Nazaré, Tiberíades, Tabor e Ein Karem, todas essas Casas Novas para os peregrinos que vêm aqui”.

Boa estrutura de recepção, quartos com banheiros, restaurantes. As instalações da Casa Nova de Nazaré e as demais, sempre ofereceram serviços de boa qualidade aos peregrinos. Após 11 de março, devido à pandemia se esvaziaram completamente.
Fr. CARLOS MOLINA, ofm – Diretor Casa Nova – Nazaré

“Isso significa que não houve receita financeira para a Casa Nova. Não haviam obras para a Custódia, nem para sustentar os Santuários, mas sobretudo não haviam mais rendimentos para os trabalhadores da Casa Nova”.

ELIANA GHAWALI – Gerente de reservas Casa Nova – Belém

“Este ano deveriam ter vindo muitas pessoas, tínhamos reservas feitas para todos os meses! Infelizmente em março tivemos que fechar por causa do coronavírus, e até agora a casa está fechada, não trabalhamos mais”.

Fr. SEVERINO LUBECKI, ofm – Diretor Casa Nova – Ein Kerem

“É claro que a estrutura não pode ser abandonada: deve ser mantida, deve ser limpa todos os dias, a manutenção de rotina deve sempre ser feita no interior”.

Fr. FRANCESCO PATTON, ofm – Custódio da Terra Santa

“Somos uma ordem mendicante, como franciscanos, assim São Francisco nos ensinou que devemos pedir com confiança e acolher com gratidão. Daquilo que recebemos, também prestamos conta. Porque todos os anos no site da Custódia, no site dos Comissários da Terra Santa, no site da Congregação para as Igrejas Orientais, é publicada a lista das obras que fazemos em grande parte graças à Coleta da Sexta-Feira Santa, ou Coleta Pró Terra Santa, que este ano se realiza no dia 13 de setembro. Por isso, todos os anos pedimos a ajuda, o apoio também econômico de todos os cristãos do mundo, e depois agradecemos o que os cristãos de todo o mundo nos dão como expressão da sua proximidade, da sua solidariedade e do seu amor”.

Via Vatican News

 

 

 

terça-feira, 8 de setembro de 2020

Pastoral da Educação promove encontro nacional

 


O 20º Encontro Nacional da Pastoral da Educação vai ser realizado dias 11 e 12 de setembro, de forma online. O evento terá como tema: “Igreja em saída: a Pastoral da Educação na Escola Pública”. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas através do site culturaeducacaocnbb.com.

As pessoas que participarem integralmente do encontro vão receber certificado, emitido pelo Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), parceiro do evento.

A Igreja celebra, neste 8 de setembro, a Natividade de Nossa Senhora

 


A Natividade de Nossa Senhora é celebrada nove meses depois da celebração da solenidade da Imaculada Conceição (8 de dezembro). É toda a Igreja que faz o convite: “Vinde, todas as nações, vinde, homens de todas as raças, línguas e idades, de todas as condições: com alegria celebremos a natividade da alegria! (…)

Dom Murilo S.R. Krieger – arcebispo emérito de São Salvador da Bahia

No dia 8 de setembro, seguindo uma tradição dos primeiros séculos da Igreja, celebramos a festa da Natividade de Nossa Senhora. Não há, nos textos evangélicos, referência alguma ao nascimento de Maria, por uma razão muito simples: o objetivo que os evangelistas tinham ao escrever o Evangelho era o de nos apresentar Jesus Cristo. Só há referências à Virgem Maria ou a qualquer outra pessoa quando se trata de ressaltar algum fato que diga respeito ao Salvador. É verdade que a Palavra de Deus nos mostra, mesmo que deforma discreta, a presença de Maria Santíssima nos momentos centrais da História da Salvação, como a encarnação, a inauguração do ministério de Cristo, a crucifixão, o nascimento da Igreja com a vinda do Espírito Santo etc. Mas os Evangelhos não nos dão informações a respeito da família de Maria, de sua infância, de sua formação, de seu temperamento, de seu aspecto físico etc.

Encontramos dados sobre o nascimento de Maria nos chamados “Evangelhos Apócrifos”, que não são textos inspirados, mas escritos para recolher tradições orais que circulavam entre o povo. Ao lado de (poucos) fatos históricos verdadeiros, tais textos traziam (muitas) histórias fantasiosas e edificantes, para comover os fiéis. Para dar maior autoridade a tais textos, escritos a partir do segundo século da era cristã, eles eram divulgados como sendo de autoria de algum apóstolo. Segundo os Evangelhos Apócrifos, Nossa Senhora teria nascido na cidade de Nazaré, na Galileia, e seus pais se chamavam Joaquim e Ana.

A Igreja católica não costuma celebrar o dia de nascimento dos santos, mas sim o de sua morte – isto é, quando entraram para a glória eterna. Há, contudo, três celebrações de nascimento: de Jesus Cristo (Natal); de São João Batista (ainda no ventre de Isabel, manifestou-se diante da proximidade de Maria, que esperava Jesus, e que fora visitar sua parente); e o da própria Virgem Santíssima.

A Natividade de Nossa Senhora é celebrada nove meses depois da celebração da solenidade da Imaculada Conceição (8 de dezembro). É toda a Igreja que faz o convite: “Vinde, todas as nações, vinde, homens de todas as raças, línguas e idades, de todas as condições: com alegria celebremos a natividade da alegria! (…) Que a criação inteira se alegre, festeje e cante a natividade de uma santa mulher, porque ela gerou para o mundo um tesouro imperecível de bondade, e porque por ela o Criador mudou toda a natureza humana em um estado melhor!” (S. João Damasceno – século VIII).

Mais tarde, em um famoso sermão feito na festa da Natividade, Padre Antônio Vieira (século XVII) perguntou: “Quereis saber quão feliz, quão alto é e quão digno de ser festejado o Nascimento de Maria?” Ele mesmo respondeu: “Vede para que nasceu: nasceu para que dela nascesse Deus. (…) Perguntai aos enfermos para que nasce esta celestial Menina: dir-vos-ão que nasce para Senhora da Saúde; perguntai aos pobres, dirão que nasce para Senhora dos Remédios; perguntai aos desamparados, dirão que nasce para Senhora do Amparo; perguntai aos desconsolados, dirão que nasce para Senhora da Consolação; perguntai aos tristes, dirão que nasce para Senhora dos Prazeres; perguntai aos desesperados, dirão que nasce para Senhora da Esperança. Os cegos dirão que nasce para Senhora da Luz; os discordes, para Senhora da Paz; os desencaminhados, para Senhora da Guia; os cativos, para Senhora do Livramento; os cercados, para Senhora da Vitória. Dirão os pleiteantes que nasce para Senhora do Bom Despacho; os navegantes, para Senhora da Boa Viagem; os temerosos da sua fortuna, para Senhora do Bom Sucesso; os desconfiados da vida, para Senhora da Boa Morte; os pecadores todos, para Senhora da Graça; e todos os seus devotos, para Senhora da Glória. E se todas estas vozes se unirem em uma só voz, dirão que nasce para ser Maria e Mãe de Jesus.”

A Virgem Maria foi escolhida por Deus, antes de todos os séculos, para ser a Mãe do Messias, a Mãe do Filho de Deus, a Mãe do Salvador, “a estrela que precede o Sol”. Com o seu nascimento, a vinda do Emanuel, do “Deus-conosco”, começava a se concretizar. Por isso, na festa de seu nascimento, a Igreja pede: “Exulte, ó Deus, a vossa Igreja (…), pois nos alegramos pelo nascimento de Maria, que foi para o mundo inteiro esperança e aurora da salvação” (Missa – Oração depois da Comunhão).

Imagem da capa: La Madonna Del Granduca de Raffaello Sanzio

Com informações do VaticanNews

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Em setembro, Papa pede oração e respeito ao meio ambiente: não ao saque, sim à partilha


“Estamos espremendo os bens do planeta. Espremendo-os, como se fosse uma laranja. Países e empresas do Norte enriqueceram explorando dons naturais do Sul, gerando uma ‘dívida ecológica’. Quem pagará essa dívida? Além disso, a ‘dívida ecológica’ é ampliada quando multinacionais fazem fora de seus países o que elas não têm permissão para fazer nos seus. É ultrajante. Hoje, não amanhã, hoje, temos que cuidar da Criação com responsabilidade. Rezemos para que os recursos do planeta não sejam saqueados, mas partilhados de forma justa e respeitosa. Não ao saque, sim à partilha.”

No vídeo de intenção de oração para o mês de setembro, enquanto pede rezar pelos recursos do planeta, o Papa Francisco denuncia o enriquecimento de países e empresas com a exploração do meio ambiente, expressando, assim, a sua preocupação com a geração de uma “dívida ecológica”. O convite para cuidar da Criação “hoje, não amanhã, hoje” e “com responsabilidade” acontece nesta segunda-feira (31), véspera do Dia Mundial de Oração pela Criação; no âmbito do #TempoDaCriação, celebrado de 1º de setembro a 4 de outubro; e no 5º aniversário da Laudato si’.

A campanha pelo cuidado da Criação, além do novo Vídeo do Papa, com a intenção de oração de Francisco confiada a toda Igreja por meio da Rede Mundial de Oração do Papa (que inclui o Movimento Eucarístico Jovem – MEJ), também reúne o trabalho de várias ONGs, buscando a transformação social e procurando melhorar a vida dos mais desfavorecidos.

O alerta para a dívida ecológica

A mensagem do Papa Francisco sobre o cuidado da Criação é contundente quando afirma que “estamos espremendo os bens do planeta. Espremendo-os, como se fosse uma laranja”. É por isso que o Pontífice encoraja todas as pessoas a tomarem consciência da grave “dívida ecológica”, resultado da exploração dos recursos naturais e da atividade de algumas multinacionais que “fazem fora de seus países o que não é permitido nos seus.”

Um exemplo para a desproporção dos recursos, segundo relatórios internacionais, é que quase um bilhão de pessoas vão dormir com fome todas as noites. Isso acontece não porque não haja comida suficiente para todos, mas por causa da profunda injustiça na maneira como a comida é produzida e distribuída. Entre as causas estão: o aumento do poder empresarial na produção de alimentos, a crise climática e o acesso injusto aos recursos naturais, o que afeta a capacidade das pessoas de cultivar e comprar alimentos.

A exploração de recursos naturais não-renováveis, incluindo o petróleo, o gás, minerais e madeira, tem sido frequentemente identificada como um dos fatores desencadeadores, impulsionadores ou sustentadores de conflitos violentos em diferentes partes do mundo.

A promoção da ecologia integral

O Pe. Frédéric Fornos, diretor internacional da Rede Mundial de Oração do Papa, declarou que, “nestes tempos de pandemia, estamos mais conscientes, como o Santo Padre já disse várias vezes, da importância de nossa Casa Comum, o que nos recorda a necessidade de cuidar dos bens do planeta”. O padre lembrou que, em maio deste ano, Francisco divulgou uma mensagem em vídeo para a Semana Laudato Si’ com o convite de “responder à crise ecológica, ao grito da terra e ao grito dos pobres”.

O diretor, então, encorajou à oração, junto com o Papa, e finalizou:

“Hoje, mais do que nunca, temos que ouvir esse clamor e promover concretamente, com um estilo de vida pessoal e comunitário sóbrio e solidário, uma ecologia integral. Vamos rezar por isso porque é um caminho de conversão.”

Via Vatican News

Qual será a minha vocação e a minha profissão?


Deus nos criou para uma missão neste mundo; e para isso nos dotou de talentos adequados para cumpri-la. Quando realizamos o desejo de Deus, então, somos felizes porque nos sentimos realizados e úteis.

 

Então, é fundamental descobrir a nossa vocação.

Quando você realiza sua vocação, dá sentido a sua vida. Cada pessoa é chamada (vocação vem do latim ‘vocare’ = chamar) por Deus a ter uma vida realizada e plena.

Tomar consciência de que a vocação é um chamado de Deus à vida deve nos alertar de como viver bem esta vida que nos foi dada não só como um presente, mas também como missão.

Vocação é diferente de profissão, embora possa haver uma interface entre ambas. A sua profissão é definida por suas aptidões, já a vocação define um “estado de vida”; é algo mais profundo dentro de você; é algo “existencial”, compreende toda a sua pessoa, toda a sua realidade psicológica, mental e espiritual.

Há jovens que têm dúvida em discernir sobre a sua vocação, especialmente se vão se casar ou serem consagrados e celibatários. Essa é uma questão fundamental. Quem tem um desejo muito forte de se casar, ter filhos, constituir uma família, então, deve seguir esse caminho e nele servir a Deus como bom pai, boa mãe, bom esposo (a), bom profissional, etc.

Os que são chamados por Deus para o sacerdócio, ou para uma vida religiosa celibatária, terão mais atração para esta opção do que para o casamento. Deus coloca no coração da pessoa este desejo, embora ele tenha de cultivá-lo com sua graça, oração, etc. Evidentemente a decisão deve ser tomada com um bom conhecimento do que seja tanto a vida conjugal quanto a celibatária de um consagrado a Deus. E nisto muito ajuda a orientação espiritual de uma pessoa madura.

Quem deseja seguir a vida religiosa deve estar ciente de que fará uma “entrega radical” de sua vida a Deus e a seu Reino, sem viver para si mesmo e para uma família. Será como Jesus, “alter Christus”, um outro Cristo, que disse que não tinha “nem onde reclinar a cabeça”; isto é, nada possuía, era desapegado de tudo, vivia só para Deus. Sua vontade era “fazer a vontade do Pai” (João 6,30), este era “seu alimento” (João 4,32). Quem deseja seguir esta vocação deve estar ciente de que deve “dar a vida para ganha-la” (Mt 16,24), como o grão de trigo que morre na terra para dar fruto (João 12, 24). É uma “chamada radical” e que não admite meio termo, sob pena da pessoa ficar frustrada.

Já para a vida conjugal, é necessário o discernimento para verificar se há o desejo sincero de dividir a sua vida com alguém, de forma exclusiva, na fidelidade ao outro em todos os instantes até a morte, vivendo para ele e para os filhos.

Então, para o bom discernimento da vocação é preciso que você olhe para você mesmo com olhos abertos, sem medo e sem se esconder de você mesmo. E peça a Deus que o ajude a se conhecer. Se você se confrontar com você mesmo, então se conhecerá e não se iludirá.

Escolhido o caminho a seguir, então, vá em frente com determinação, atento aos acontecimentos, em direção àquilo que se sente chamado. Nesta caminhada você vai descobrindo se tem ou não as disposições exigidas pela realidade que escolheu.

Já na vida secular, para aquele que optou pelo casamento ou por uma vida celibatária no mundo, nem sempre é fácil escolher a profissão e muitos se enganam. Isso exige também que você se conheça com clareza; identifique seus talentos e aptidões. Não adianta, por exemplo, querer ser médico se você não pode ver sangue. Não adianta querer ser engenheiro se detesta física e matemática… Seja coerente.

Pode ser que um psicólogo (a) o ajude com testes vocacionais e orientações adequadas. Mas, acima de tudo é preciso “ouvir o coração”: o que você gosta de fazer? Quais são as suas aptidões e interesses? Também saiba ouvir os outros que estão perto de você. Muitas vezes as pessoas identificam os nossos valores e talentos e os revelam a nós.

Algumas vezes somos obrigados a tomar uma decisão difícil para mudar o rumo de nossa vida profissional, quando sentimos que não gostamos do que estamos fazendo, do trabalho que realiza, etc. Eu mesmo mudei radicalmente o rumo de minha vida aos 20 anos de idade quando já estava às vésperas de receber a espada de oficial do Exército na Academia Militar. Eu sentia que não era o meu interesse, o meu gosto, por que eu queria ser professor. Então, deixei a Academia e fui ser professor universitário, o que fiz durante 40 anos. E fui e sou feliz nisso, ensinando.

Para o cristão, o discernimento da vocação ou da profissão, exige a oração, a relação de intimidade com Deus, pois foi Ele quem o criou e deseja que você se realize. Não podemos esquecer do que Jesus disse: “Sem mim NADA podeis fazer” (João 15,5).

Prof. Felipe Aquino