terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Vaticano: diálogo fraterno entre o Papa e os bispos chilenos


O encontro entre os bispos chilenos e o Papa Francisco na manhã de segunda-feira, 14 de janeiro se realizou num clima de ‘diálogo fraterno’. Uma hora pela manhã, seguida de almoço na Casa de Santa Marta com o Romano Pontífice. O objetivo era apresentar o caminho da Igreja chilena ao longo de 2018, oito meses após a última reunião com o Papa em maio, quando se reuniram para tratar da questão dos abusos.
Dom Fernando Ramos, Bispo Auxiliar de Santiago, Administrador Apostólico de Rancagua e Secretário Geral da CECh, falou sobre o encontro com Vatican News.
“ O objetivo desta visita surgiu na última Assembleia Plenária do Episcopado chileno, em novembro de 2018, na qual consideramos oportuno encontrar-nos com o Santo Padre depois da visita ao Chile em janeiro e da reunião em maio. Passaram oito meses desde esse último encontro, houve uma sucessão de acontecimentos na Igreja chilena e pareceu-nos muito importante repassar estes eventos, analisar o seu significado para a Igreja, o momento atual e o futuro que temos pela frente. Explicamos ao Santo Padre quais são as nossas perspectivas de trabalho e tivemos um diálogo muito frutuoso sobre isso”.
Em linhas gerais, o que apresentou ao Santo Padre e como se desenvolveu a visita?
“ A visita começou com um encontro das 11h às 12h, foi uma hora muito interessante de diálogo muito fraterno. O Santo Padre nos escutou com muita atenção, fez algumas intervenções, mas depois recebeu outra pessoa importante, uma autoridade política italiana, e nos convidou para o almoço. De lá fomos até a Casa Santa Marta, almoçamos com ele e ficamos até as três horas da tarde em um diálogo muito interessante”.
“Explicamos a evolução dos acontecimentos desde a visita do Papa ao Chile e, em seguida, quais foram as diferentes reflexões dentro da Igreja chilena, de vários tipos, que enriqueceram seu desenvolvimento. Também lhe adiantamos que, em 2019, queremos aprofundar o discernimento para que em 2020 possamos realizar uma assembleia eclesial que dê as diretrizes para novas orientações pastorais da Igreja chilena”.
O Papa lhes ofereceu alguma indicação?
“Foram muitos conselhos. Durante o diálogo – de muitos e muito diversos aspectos – manifestou sempre, a partir de sua experiência e sabedoria, diversos aspectos que apontam para a comunhão eclesial, o diálogo entre as diferentes pessoas que compõem o povo de Deus e a importância do reconhecimento do povo de Deus em todas as suas dimensões”.
A publicação do código de conduta dos ministros ordenados e do protocolo de boa conduta, previsto para abril, continua em vigor?
Sim, vamos unir os dois e vamos fazer um como um todo que será muito preciso para todos aqueles que trabalham na Igreja, e será apresentado na assembleia plenária em abril/maio, para divulgá-lo.
Na próxima reunião em fevereiro, quem virá?
“ O convite é dirigido ao Presidente das Conferências Episcopais ou a um representante, neste caso o Presidente da Conferência Episcopal do Chile me pediu para representá-lo na reunião de fevereiro. Aceitei e virei com muito interesse. Falamos com o Santo Padre sobre o que significará este encontro e também algum pronunciamento público foi feito pela jornalista Andrea Tornielli, que é o novo diretor editorial do Dicastério da Comunicação, que também está tentando difundir o verdadeiro significado deste encontro”.
Via Vatican News


Cáritas Brasileira lança a campanha #EuMigrante em parceria com a Signis Brasil Jovem


A Cáritas Brasileira, organismo vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em parceria com um conjunto de organizações, lançou na última quinta-feira, 10 de janeiro, a Campanha #EuMigrante baseada na ideia de que migrar é um direito humano. “Migrar diz respeito à mobilidade espacial das pessoas, ou seja, trocar de casa, de cidade, de região, de estado ou de país. Esse processo ocorre desde o início da história da humanidade. Todos nós temos, em nossas famílias, realidades migratórias, deslocamentos. Uns migram por escolha, outros são forçados a isso”, diz o texto de divulgação do projeto.
A campanha #EuMigrante tem como objetivo mostrar a realidade e o drama vivido pelos migrantes, em especial os venezuelanos, que chegam ao Brasil e será executada até o dia 30 de junho deste ano. As ações buscarão sinalizar caminhos para ajudá-los no processo de integração, como pede o papa Francisco: “acolher, proteger, promover e integrar os migrantes e os refugiados”.
A campanha faz parte do Programa Pana, que é uma iniciativa desenvolvida pela Igreja do Brasil, por meio Cáritas Brasileira, com apoio da Cáritas Suíça e do Departamento de Estado dos Estados Unidos. O objetivo de sensibilizar e mobilizar pessoas e recursos para a questão migratória no Brasil, com foco para a crise humanitária vivenciada na fronteira Brasil; Venezuela.
Fases e momentos: A campanha #EuMigrante estrutura-se em três momentos: 1) Sensibilização; 2) Mobilização; e 3) Integração. A proposta é que ao longo do primeiro semestre de 2019, diversas ações sejam dinamizadas pelo país, buscando visibilizar a realidade migratória no Brasil a partir da ação do Projeto Pana que ao longo de um ano, visa favorecer mais de 3.500 pessoas, sendo, pelo menos, 1.224 delas migrantes venezuelanos, a partir da integração em sete capitais do Brasil: Boa Vista (RR); Brasília (DF); Curitiba (PR); Florianópolis (SC); Porto Velho (RO); Recife (PE) e São Paulo (SP). Nesse processo, 612 pessoas já estão sendo integrada nessas capitais.
As iniciativas têm como referência as Casas de Direitos, espaços onde são desdobradas as ações do Programa Pana, que estão situadas nas sete capitais. As Casas são ambientes para acolhida e garantia de direitos aos migrantes. Nesse sentido, uma equipe multidisciplinar, formada por assistentes sociais, advogados, educadores e psicólogos, atende e acompanha os migrantes.
No site da campanha eumigrante.org é possível verificar as diversas maneiras de ajudar, seja com quantias em dinheiro ou doações de móveis, eletrodomésticos, roupas e calçados em bom estado de uso, bem como produtos de limpeza e de higiene pessoal. A Campanha #EuMigrante nasce da parceria entre a Cáritas Brasileira, que é uma instituição com mais de 62 anos de história no país, que atua como uma rede solidária, com cerca de 15 mil agentes espalhados por todo o território nacional, com a Signis Brasil Jovem que tem pouco mais de um ano de existência, um novo setor da Associação Católica de Comunicação – Signis Brasil, fundada há 10 anos.
Mais informações:
Osnilda Lima – osnilda@caritas.org.br WhatsApp (61) 98366-1235
Ricardo Alvarenga – ricardo@signisbrasil.org.br WhatsApp (98) 98275-7760
Franklin Machado – franklinecops@gmail.com WhatsApp (48) 99696-4144
Via CNBB


terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Em 2018, Igreja registra a morte de 40 missionários

Ao longo do ano de 2018, a Igreja registrou a morte de 40 missionários e trabalhadores que atuam em pastorais ao redor do planeta. Este número representa quase o dobro do registro de 2017, quando foram confirmadas 23 mortes de acordo com a agência Fides.
Até 2017, a América liderou por oito anos consecutivos o continente que mais registrou mortes de missionários. Em 2018, porém, foi ultrapassada pela África.
Segundo dados da Fides, dos 40 mortos, 35 eram sacerdotes, 1 seminarista e 4 leigos. A África foi responsável por 21 mortes, sendo 19 sacerdotes, seminaristas e leigos. A América do Sul ficou em segundo lugar, com 15 mortos, incluindo 12 padres e 3 leigos. A Ásia veio a seguir com 3 padres. A Europa registrou a morte de um padre.
“Missionário” de acordo com a “Evangelii Gaudium
A Fides explicou que prefere usar a palavra “missionário” para os mortos, referindo-se à Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, em que o Papa Francisco afirma que “em virtude do seu batismo, todos os membros do povo de Deus se tornaram discípulos missionários”. “Todos os batizados, seja qual for sua posição na Igreja ou seu nível de instrução na fé, são agentes de evangelização, e seria insuficiente imaginar um plano de evangelização a ser realizado por profissionais, enquanto o restante dos fiéis seriam simplesmente receptores passivos”, diz o Papa.
É por isso que a lista anual da Fides não inclui apenas missionários no sentido estrito, ou missionários em terras de missão, mas compreende todos os batizados engajados na vida da Igreja morrendo de forma violenta e não estritamente “em ódio da fé”.
Segundo a Fides, muitos missionários perderam suas vidas durante tentativas de assaltos e roubos, às vezes em circunstâncias violentas em contextos sociais empobrecidos e degradados, em que predomina a violência, com autoridades desamparadas ou enfraquecidas por conta da corrupção ou onde a religião é mal utilizada.
Via Canção Nova


Os desafios da realidade urbana serão eixo central da atuação pastoral da Igreja no Brasil

Na próxima Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), marcada para o mês de maio de 2019, em Aparecida (SP), serão aprovadas as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil para o quadriênio 2019-2023. O foco do texto em preparação para este momento é a atuação da Igreja no mundo urbano. Esta reflexão, já está presente em vários ambientes eclesiais, como o regional Leste 2 da CNBB, que compreende os estados de Minas Gerais e Espírito Santo.
A temática também foi trabalhada no 14º Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), realizado em 2018. Dom Geremias Steinmetz, arcebispo de Londrina (PR) e vice-presidente do regional Sul 2, defendeu a necessidade atualizar as diretrizes com o enfoque a atuação da Igreja na realidade urbana.
O bispo disse ser necessário levar em consideração as reflexões produzidas no XIV Intereclesial de Cebs e sobre o Encontro dos Bispos das Metrópoles. “É muito importante que o documento aprofunde a questão das periferias e, sobretudo, do que estamos chamando de ‘periferias existenciais’. Lá, a Igreja precisa atuar com a caridade e assistência aos pobres”, disse.
O regional Leste 2 aprofundou em assembleia o tema “Uma Igreja em saída frente aos desafios e esperanças do mundo urbano”. De acordo com o arcebispo de Uberaba (MG) e presidente do regional, dom Paulo Mendes Peixoto, as reflexões sobre a temática buscaram encontrar caminhos de como “atingir com a nossa pastoral”. “Cada vez que passa o tempo, o mundo urbano se torna mais complicado. No fundo, é aquela palavra de São Paulo que, em Atenas, ele encontrou na cidade um grande areópago, cheio de tanta confusão, tanta adversidade, por outro lado também, muita riqueza”, observa.
Direito à cidade – Para Celso Pinto Carias, assessor das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), os mais pobres estão sendo excluídos do direito fundamental de usufruir das cidades. “Em nome de uma modernização dos grandes centros urbanos, empurra-se os mais pobres cada vez mais longe de seus postos de trabalho. “Os mais pobres não têm acesso aos equipamentos sociais e culturais produzidos nessas reformas urbanas”, avalia.
Para contribuir no debate rumo à 57ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Comissão Especial sobre a atualização das Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) 2019/2023 enviou ao episcopado brasileiro, a pessoas interessadas, aos organismos e pastorais da Igreja no Brasil o “Texto Mártir”.
O chamado “Texto Mártir” será objeto de estudos e acréscimos até a próxima reunião da Comissão marcada para fevereiro de 2019, ocasião na qual se produzirá uma versão final do texto que será levado à 57ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil que acontece em Aparecida (SP), de 1º a 10 de maio de 2019.
Via CNBB