ESTÁ É MINHA HISTÓRIA
Meu
nome como Religiosa é Irmã M.
Judith Vieira de Farias. Pertenço
à Congregação das FILHAS DO
AMOR DIVINO, fundada na Áustria por Madre Francisca Lechner.
Nasci na pequena Vila de Desterro, então município da cidade de Teixeira, no
Estado da Paraíba. Meu pai era agricultor e minha mãe costureira. Sou a quinta
filha numa prole de oito filhos que meus pais criaram com amor e dedicação.
Formávamos uma família pobre, mas, profundamente cristã, unida e feliz.
Minha mãe cada ano tinha um filho. Após o nascimento do 5º filho, nasceu a
pequena Marluce, que faleceu vítima de coqueluche aos dois anos de idade,
doença que tem hoje cura mais fácil, porém, à época, era bastante perigosa e
vitimava muitas crianças. Dois irmãos meus também faleceram em tenra idade.
Depois continuou nascendo meninos e meus pais desejavam outra menina,
provavelmente para substituir Marluce. Então, fizeram uma promessa (não sei a
qual santo), para que nascesse uma menina. Na noite de Natal de 1935, na hora
da Missa, eu nasci. Não haveria data melhor para eu nascer: dia em que se
comemora o nascimento de Jesus Cristo, nosso Salvador. Fui batizada no dia 5 de
fevereiro de 1936, recebendo o nome de Maria e logo em seguida consagrada a
Nossa Senhora, como era costume na época. Eu até tinha uma madrinha de
Consagração. Minha mãe me chamava “minha gaçuda Nita”(gaçuda=graciosa) e assim
fiquei sendo chamada por todos da família: Nita.
Depois nasceu Pedro e em breve minha mãe estava grávida outra vez. Não sei por
qual motivo, as pessoas que a conheceram diziam que ela sempre afirmava: “Eu
vou morrer neste parto.” Em janeiro de 1939, minha mãe começou a sentir os
sintomas para o parto de um irmão que faleceu em seu ventre. Foram vários dias
de sofrimento e a criança não nascia. Não havia socorro médico lá e as
parteiras, em número de 7, estavam na nossa casa, dizendo ao meu pai que não
havia necessidade de ir em busca de médico em Teixeira (a 3 quilômetros de
distância), porque a criança nasceria em breve. Quando minha mãe teve febre,
meu tio foi em busca do médico,que, ao chegar e verificar o quadro, disse para
meu pai: “Você me chamou tarde demais, a criança já está morta há 7 dias.” Foi
nesse parto que a família perdeu, ao mesmo tempo, um irmão e minha mãe; a
esposa e um filho (para nosso pai). Portanto, aos 3 anos de idade, fiquei órfã.
Meu irmão de apenas 11 meses – Pedro foi para a casa do meu avô e eu fui para a
casa de minha tia e madrinha de batismo, Luzia Alves de Farias.
No
processo do parto, minha mãe, ao ficar doente e sentir a morte se aproximando,
chamou meu pai e pediu que ele cuidasse de mim e não me deixasse sofrer. Ela
também tinha ficado órfã ainda recém nascida e havia sofrido muito da madrasta.
Sua mãe também faleceu de parto. Meu pai procurou cumprir o que a ela
prometera, sempre me protegendo.
Logo
depois da morte de minha mãe, meu pai começou a nos preparar para uma futura
substituta de nossa mãe. Ele dizia constantemente: “Sua mãe estava muito
cansada e Nosso Senhor a levou para o céu, mas ela vai enviar uma pessoa para
substituí-la, a qual vocês chamarão de “mamãe”, pois ela será a substituta de
sua mãe” e o meu irmão mais velho repetia isto para mim.
Meu pai
casou-se um ano depois, com uma jovem de 15 anos, criada com os avós e educada
pelo Padre da Paróquia de Teixeira, que fundou uma escola em Desterro e dava
assistência espiritual, aulas de formação e boas maneiras semanalmente na
escola. Ela, apesar de muito jovem, foi sempre maravilhosa, cumprindo fielmente
os deveres de esposa e mãe. Meu pai e ela eram muito unidos e felizes.
Continuamos sendo uma família feliz.
Aos 7
anos fiz a Primeira Eucaristia. Meu pai me preparou cuidadosamente para este
dia. Todas as noites, após o jantar ele me dava lições de catequese e doutrina,
não lembro por quanto tempo. O certo é que fui preparada por ele para o meu
primeiro encontro com Jesus Eucarístico.
Meu pai
teve apenas 3 meses de escola, mas, sozinho, buscou sua própria formação
intelectual. Lia muito e estimulava todos nós à leitura, assinando revistas,
jornais e comprando livros bons para a nossa formação. Ninguém falava errado na
minha casa, porque cada um corrigia o outro quando isto acontecia. Tínhamos a
revista “Seleção”, muito apreciada por todos nós, livros, jornais e revistas
que ele solicitava da Editora Vozes de Petrópolis, RJ.
Aos 12
anos nasceu minha primeira irmã, filha de meu pai e minha madrasta. A alegria
que tive com seu nascimento é indescritível. Dois anos depois, nasceu a minha
segunda irmã.
E assim
fui crescendo e desenvolvendo o desejo de me dedicar à Vida Religiosa.
Desde a
minha mais tenra infância, pensava seriamente em um dia dedicar minha vida ao
Senhor. Eu tinha uma tia Religiosa da Congregação das Irmãs de Sta. Catarina de
Sena. Aos 12 anos outros pensamentos vieram à minha mente e eu abandonei um
pouco esta idéia. Tive namorados, mas no estilo da época: somente conversa,
pois as moças tinham uma consciência muito forte da necessidade de guardar sua
integridade perante a sociedade de Desterro que vigiava e velava pelas suas
jovens. Para nós, isto era algo natural,
No dia
que completei 15 anos, meu irmão Juvenal, que era meu amigo mais fiel, muito
inteligente, uma voz lindíssima, após retornarmos das festividades natalinas da
Vila, teve uma parada cardíaca (assim penso), ou aneurisma cerebral (não
sabemos bem), falecendo, aos 21 anos de idade, após várias horas de intensa
agonia, com fortes convulsões e muito sofrimento para toda a família. Ele
desejava entrar na Ordem dos Franciscanos, mas não conseguiu o apoio
necessário. Este acontecimento chocou-me profundamente. A partir daí, fui
profundamente tocada pelo Senhor e decidi consagrar minha vida a Ele para
sempre. Escrevi para minha tia freira expressando meu desejo. Recebi a resposta
confirmativa, mas meu pai se recusou a permitir, porque tinha mágoas da família
de minha mãe que o acusava como responsável pela sua morte. Mas a decisão
estava tomada e eu não mais voltei atrás.
Depois
de muito diálogo e busca, o mesmo sacerdote que colaborou na formação de minha
madrasta, conseguiu uma vaga no Colégio Cristo Rei em Patos-PB, dirigido pelas
Filhas do Amor Divino. Lá fiquei interna, mas como meu pai não podia pagar meus
estudos e muito menos internato, trabalhava ajudando às Irmãs. Lá eu tinha
várias primas ricas estudando internas, algumas delas minhas colegas de classe.
Após
dois anos fui para Natal, iniciando lá minha formação como Candidata,
Postulante, Noviça, etc. Foi assim que iniciei minha consagração a Deus e me
preparei para meus primeiros Votos Religiosos.
Meu pai
veio de Desterro para participar da solenidade dos meus Primeiros Votos. Foi a
primeira vez que ele saiu daquela região onde morava.
Estando
na Congregação, após um breve intervalo, continuei meus estudos. Sempre fui
muito estudiosa, sempre conseguindo os primeiros lugares. Fiz o curso de
Pedagogia, depois Teologia na Universidade Católica de Petrópolis, Teologia
Maior no Seminário da Prainha em Fortaleza, juntamente com os Seminaristas.
Sempre tive um carisma especial para ensinar e fui sempre muito querida dos
alunos.
Depois
de um longo período como professora, fui para a Inglaterra colaborar com as
Irmãs que são poucas naquela Província e necessitam que outras Províncias
enviem Irmãs para ajudá-las a continuar no seu apostolado. Lá tive experiências
lindas, participando de um movimento com os jovens nas diversas escolas, junto
com outros Religiosos, seguindo um Programa de evangelização e formação
intenso, durante 3 anos, na região dos mineiros, onde me senti muito em casa.
De lá fui para Roma, onde fiz o Curso de Teologia Espiritual na Universidade do
Teresianum, pertencente à Ordem dos Carmelitas. Foi um período pleno de graças
e bênçãos do Senhor.
Após
vivenciar esta experiência, retornei ao Brasil, onde assumi a Direção da Escola
Cônego Monte em Natal. Após 6 anos, fui novamente para a Inglaterra, onde
permaneci por 3 anos na região de Norfolk. Lá fundei o grupo dos Associados
Amor Divino e ensinava Religião nas classes dos anos 7,8 e 9. Foi uma
experiência um pouco difícil para meu jeito de ser, uma vez que lá é a região
da Rainha e o povo é bem mais aristocrático. Eu me sinto melhor no meio dos
simples.
De
volta outra vez ao Brasil, fundei os Associados do Amor Divino e a Juventude
Amor Divino, um movimento de leigos que procuram viver a espiritualidade e o
carisma de Madre Francisca Lechner, fundadora da Congregação das Filhas do Amor
Divino.
Em
2009, estive por 3 meses nos Estados Unidos realizando um trabalho em uma de
nossas Províncias – a Província São José – sobre nossa experiência com a
Pastoral da Juventude e com a Pastoral Vocacional.
No momento
sou Superiora da Comunidade Nossa Senhora das Vitórias em Assu, coordeno o
movimento que fundei em toda a Província Nossa Senhora das Neves e ensino
Antropologia Teológica na Faculdade Católica da PRONEVES.
Assumo
tudo que me é confiado com muita responsabilidade, amor e alegria. Sinto-me
feliz falando de Jesus Cristo e da minha Congregação. Sou muito solicitada para
pregar retiros, fazer palestras, dirigir encontros etc.
Sinto-me
querida das Irmãs, dos alunos de todas as idades e classes sociais.
Desde a
morte do meu irmão, Jesus passou a ser o único da minha vida e a Ele peço a
graça da perseverança até o final de minha vida.
Quero
conservar a minha juventude interior e a minha alegria de viver sempre até o
dia que Ele me chamar, quando desejo ir ao Seu encontro sorridente e feliz,
consciente de que realizei o Projeto que Ele determinou para mim.
Assu, 25 de dezembro de 2013.
Festa do NATAL DO SENHOR
Irmã M. Judith Vieira de Farias,FDC
Louvor ao Senhor pelo dom da vida
de Irmã Marlene

Nasci no dia 29 de dezembro de
1963, em Janduís. Fui batizada e crismada na Igreja de Santa Terezinha,
em Janduís aos 03 de fevereiro 1964, pelo Pdre Arlindo Fernandes de
Oliveira. Sou a 2ª de sete irmãos. Tive uma infância e juventude feliz como
tantas outras crianças. Com 11 anos fiz a primeira Eucaristia celebrada por
Padre José Mário de Medeiros, na época pároco de Janduís. Cursei os meus
estudos a maior parte em Janduís. O 3º ano do Ensino Médio fiz em Caicó no
período da experiência vocacional. Sempre tive muita vontade de fazer o curso
de enfermagem. Fiz vestibular várias vezes e não consegui ser aprovada, então,
resolvi fazer o técnico de enfermagem. Em 2008 voltei a estudar e fiz a
faculdade de enfermagem, realizando assim um sonho que sempre tive, que
agradeço muito a Irmã Teonas na época Superiora Provincial. “Não há beleza
maior que poder agradecer a alguém por ter confiado na gente e nos fazer
reconhecer o valor das coisas realmente úteis para a nossa vida.” Também sou
grata à Província por confiar em mim e me ajudado a realizar esse sonho tão
almejado. Ainda pretendo ir mais adiante, fazendo uma especialização em
Gerontologia, área direcionada ao meu trabalho com a pessoa do idoso.
Quanto à minha vocação, tenho grande apreço por ela.
Ainda muito jovem nasceu em mim o
desejo de ser uma Religiosa. Sempre partilhava com minha mãe esse desejo, a
qual me deu muito apoio. Através das Irmãs Luzia Celeste e Emilia
Segunda, que também são de Janduís, fui encaminhada para participar dos
encontros do MOVAD – MOVIMENTO VOCACIONAL DAS FILHAS DO AMOR DIVINO. Em Caicó
participei de encontros vocacionais no Dom Wagner e ficava hospedada no Colégio
Santa Terezinha, onde fiz minha primeira experiência com Irmã Maria Caciana G.
Cortez como Promotora Vocacional, juntamente com as jovens Solange que desistiu
e Iraneide que também desistiu e hoje são membros atuantes do Movimento das
Associadas Amor Divino de Caicó.
Minha caminhada até hoje foi à
seguinte: Postulantado e Noviciado em Emaús, tendo como Mestras as Irmãs Judith
Vieira de Farias e Nivalda Vasconcelos Montenegro como Noviça do 1º ano. Morei
em Caicó no Dom Wagner, e em Salvador- Itapoá 2 anos. Voltei para Caicó
onde permaneci por 2 anos na Comunidade Sta. Teresinha e em Assu 1 ano na
Comunidade N.Sa. das Vitórias. Voltei para Salvador onde trabalhei 2
anos. Depois trabalhei na Residência Episcopal- Natal por 2 anos.
Em Emaús, trabalho na Vila Maria- Comunidade
onde se encontram as Irmãs idosas e doentes, necessitadas de tratamento -
já há 7 anos. Fui para Barreira- CE por 1 ano e voltei para a Vila
Maria onde permaneço até hoje. Aos 50 anos, me sinto uma pessoa feliz e
realizada na Congregação, como Religiosa, apesar das minhas falhas e
limitações. “Agradecer a Deus é uma forma de dizer a Ele que sempre vou
precisar de suas mãos para conquistar outras coisas mais...” Também gostaria de
dizer que sou muito feliz em poder ajudar alguém através da minha profissão,
nos momentos difíceis. “Quando a enfermagem adotou como objeto de estudo e
interesse, o cuidado com o idoso, entendeu que ainda que não foi possível
“curar” uma pessoa portadora de uma doença dita incurável, era possível manter
uma atitude constante de ocupação, atenção, responsabilidade, envolvimento e,
porque não dizer ternura, para com o seu semelhante que, naquele momento
precisasse de cuidados.
Agradeço a Deus pela minha vocação
Religiosa e por minha profissão onde me realizo “FAZENDO O BEM, ALEGRANDO,
TORNANDO OUTROS FELIZES E CONDUZINDO AO CÉU” realizando a missão, legado de
Madre Francisca Lechner.
Irmã Marlene Dantas da
Silva, FDC
Vida
e Realização de Irmã Salésia
A Irmã Salésia , Maria Hildete Fernandes , nasceu em
Caicó , RN , em 06.10.1924, onde viveu sua infância . Filha de Godofredo
Fernandes e Maria Solidade de Araújo Fernandes , foi para o convento aos 19
anos de idade, por sua própria convicção , quase de súbito e para espanto de
seus familiares e amigos. Com a entrada na Congregação das Filhas do Amor
Divino em 24 de julho de 1943. Não havia pensado em ser freira até então , pois
era uma jovem como as demais da sua época. Deus porém chamou- a , escolhendo- a
para seu serviço , e aos irmãos .
Irmã Salésia prestou serviços por mais de 30 anos no
Centro Educacional Cristo Redentor ,em Palmeira dos Índios e foi a grande
difusora de ensino de Piano nesta região , entre outras atividades ( educadora
, maestrina e compositora ) . Durante todas as suas passagens por esta cidade ,
Irmã Salésia semeou Paz, Harmonia e Alegria , motivos pelos quais é tão querida
aqui em nossa terra .
* Durante 30 anos educou 3 gerações , atingindo pais ,
filhos e netos . Por esse motivo a Religiosa Irmã Salésia Fernandes , continua
a ser muito conceituada e querida por todas as famílias Palmeirenses ,(
Depoimento do Dr. Eugênio Pacceli médico
cardiologista , seu ex- aluno alagoano)
.
* Na Congregação assumiu o cargo de Superiora em
diversas casas , prestando relevantes serviços.
* Em Fortaleza fundou a Academia “ Mario Mascarenhas ’’
de Acordeon , conquistando grande número de alunos , e sendo auxiliada por
professoras profissionais .
* Que Deus abençoe e recompense pelo serviço que
realizou na Educação
Norte-rio-grandenses.
Atualmente Irmã Salésia se encontra em Emaús –
Parnamirim / RN.
Fonte : ( Irmã Valéria Santos )
Eu nasci em 21 de maio de 1963 na maternidade Mãe Quininha
de Caicó/RN e me criei no sítio Quixaba, município de Caicó (propriedade de meu
pai), até 12 anos de idade. Fiz os estudos primários no sítio. Depois fui para
São José do Seridó para estudar a segunda etapa do ensino fundamental. Ao final
fui para Caicó, e fiquei morando no Colégio Santa Terezinha onde fiz a metade
do Ensino Fundamental.
Durante a minha infância eu tive uma base de muito apoio e
controle dos meus pais. Um exemplo de trabalho e dedicação à família. Como eram
bons aqueles momentos da mesa em família. Meus pais por morarem em sítio não
participavam freqüentemente da vida da Igreja, mas davam testemunho de uma vida
reta. Eu fiz toda a minha catequese com minha mãe. O testemunho de fé dela e de
minha avó paterna foram um marco na minha vida. Por seus ensinamentos eu
cuidava intensamente para não ofender a Deus. Ainda muito criança eu já tinha a
prática de ler livros e histórias de santos. os que marcaram profundamente a
minha vida foram as história de Santa Barbara e de São Tarcísio. Eu queria ser
como eles. Depois na adolescência eu gostava muito de ouvir os programas de
rádio conduzidos por Dom Heitor de Araújo Sales e do padre Antenor Salvino,
ambos da Diocese de Caicó. Estes programas foram para mim uma escola de
formação. Fui crescendo e aos poucos foi despertando em mim o desejo de me
consagrar, mesmo sem saber o que significava e sem conhecer nenhuma religiosa.
Ás vezes eu ouvia a Ir. Ananilia Gomes dar entrevista no rádio para jovens e
suas palavras me estimulavam. Desejei aos 13 anos entrar em um grupo de Jovens
em São José, época em que conheci a Ir. Felícia e a mesma permitiu que eu participasse
das reuniões mesmo sem ter ainda a idade. Conheci a Irmã Iolanda do Instituto
Josefinas e, o seu jeito de falar para os estudantes, em preparação para a
Páscoa, me encantava. Foi ali que eu decidi me tornar religiosa, mas não para o
seu Instituto, pois o seu carisma não me encantava. Eu me senti acolhida na
Congregação das Filhas do Amor Divino. A Irmã Teonia de Oliveira, com o seu
jeito de me ouvir, de me atender me encantou. Fui fazer a experiência com as
Irmãs durante 2 anos pois eu ainda era uma garota de apenas 16 anos de idade.
Entrei para a Congregação e a minha primeira experiência na Congregação foi na
mesma casa de onde eu havia me sentido vocacionada - o colégio Santa Teresinha.
Morei 3 anos e trabalhei como catequista e professora de terceira série. Depois
fui transferida para Assu e depois Natal. Sempre trabalhando com as mesmas
coisas. Passei três anos na formação inicial e depois fui para Brasília onde
trabalhei como diretora da escola, desenvolvi atividade social e acompanhei uma
equipe de casais. Ali eu descobri minha nova vocação profissional. Voltei para
o RN e trabalhei em Currais Novos como diretora, durante 2 anos e meio e tive a
oportunidade de ser transferida para Fortaleza, local onde eu tenho me dedicado
às atividades do meu novo despertar. Trabalhei 6 anos na Faculdade Católica de
Fortaleza, coordenando um projeto de família por criado. Fiz vários estudos de
formação nas áreas de família e direitos humanos. Hoje eu me dedico ao trabalho
de restauração das relações de casais e família e dou curso Perdão e de
Práticas Restaurativas para lideranças comunitária e de família e coordeno o
conselho Nacional das Escolas de Perdão e Reconciliação - EsPeRe que você pode
conhecer através do site www. Fundacionparalareconciliacion.org. Estou
concluindo um mestrado em Sistemas Alternativos de Resolução de Conflitos que
respalda todo o trabalho que venho desenvolvendo nos últimos dias.
Irmã M. do Socorro Medeiros Dantas,FDC
Sou Irmã Francisca Canindé Câmara de Melo, Religiosa da
Congregação das Filhas do Amor Divino, Pedagoga, Catequista de Crisma e
Professora de Ensino Religioso da Educação Infantil, atividade que acredito e realizo
com muita dedicação, amor e seriedade. Também estou cursando Inglês, curso tão
esperado, que aconteceu no tempo de Deus, trabalho com Vocacionadas da
Congregação, além de ajudar em algumas Paróquias quando sou solicitada e
disponha de tempo, na Paróquia em que a escola está inserida faço parto da
Pastoral do Surdos, sou feliz e realizada, agradeço a Deus todos os dias as
Graças e Bênçãos recebidas do Amor de Deus, infinitamente bom e Pai de todos.
Conheci as Irmãs através de Ir. Aurélia, vinha do trabalho e
vi no ônibus um véu "voando" e sentei perto começando assim uma
conversa que se tornou um acompanhamento Vocacional de três anos. Na época em
que conheci Irmã Aurélia e a Congregação meus avós já haviam falecidos, mas
tive que esperar mais um pouco, porque tive que cuidar da minha irmã, que na
época ainda era de menor, atingindo ela a maior idade, segui meu caminho
vocacional.
Que Deus possa sempre iluminar o meu caminho, para que eu
possa ser uma Religiosa a melhor que puder ser, pois o Reino de Deus merece
tudo de bom, que Deus me ajude e encaminhe meus passos sempre no seu amor.
Irmã Francisca Canindé Câmara de Melo , fdc
Biografia da Irmã Maria Hermenegilda Wanderley de Sousa , fdc
Pela Graça de Deus, nasci no dia 20 de junho de 1928. Filha
de Hermenegildo Sátiro de Sousa e Almerinda Wanderley de Souza. Fui batizada no
dia 27 de julho de 1928, na capela de São José, Paróquia de Nossa Senhora da
Guia, Distrito de São José do Espinharas, então Município de Patos, PB.
Aos 11 de maio de 1938 fiz a Primeira Eucaristia na Capela
de São José do Espinharas. Fui crismada em Serra Negra, nas Missões Populares.
Minha primeira Professora foi minha irmã Geany, desde as
primeiras letras até ir para o Colégio Cristo Rei, em Patos, interna, onde fiz
o Exame de Admissão para a Escola Normal. Ao terminar a Escola Normal, fui
trabalhar com as Irmãs Maria Augusta Vieira e Maria Bernadete Medeiros, numa
Escola para crianças pobres: a Escola Dom Fernando Gomes. No mesmo prédio
funcionava o Centro Social Cônego Machado. Aos domingos, levávamos as crianças
para a Missa na Matriz Nossa Senhora da Guia.
Após a Missa voltávamos para a Escola, onde estava preparada
uma sopa para as crianças. Era lindo ver aquelas crianças sentadinhas na
calçada tomando aquela gostosa sopa e depois iam para suas casas.
A Província me concedeu oportunidades para fazer vários
Cursos de Especialização.
Trabalhei como Professora nos seguintes Estabelecimentos de
Ensino:
* Educandário Nossa Senhora das Vitórias - Assu/RN (04
anos);
* Colégio Nossa Senhoras das Neves - Natal/RN (23 anos);
* Colégio Stella Maris - Fortaleza/CE (02 anos);
* Colégio Cristo Rei - Patos/ PB (02 anos).

Respondi o chamado de Deus para a Vida Religiosa no ano de
1948, como Postulante, em seguida Noviça. Fiz Profissão Perpétua no dia 02 de
fevereiro de 1951.
Dou graças a Deus por todas as oportunidades que tive de
trabalhar com jovens! São recordações que guardo no coração com muito amor!
Posso dizer: Sou muito feliz!!!
Irmã
Maria Hermenegilda Wanderley de Sousa FDC.
Homenageamos hoje dia 22 de setembro
Irmã Diana Cristina F.D.C

Homenageamos hoje dia 22 de setembro
Irmã Diana Cristina F.D.C

Quando disse ao o pároco da minha
Paróquia que eu queria ser freira ele calou. Durante um ano inteiro de
acompanhamento vocacional eu muitas vez trabalhando ao seu lado achava que ele
não acreditava na minha vocação. Olhava em seus olhos via a força de um Pastor
vigoroso e cheio de ideais me pedindo silencioso para que eu estivesse ao seu
lado. E quantas vezes eu estive com sua equipe preparando Encontros,
Assembleias, Missas, trabalhos voluntários... Como sou grata a essa experiência
com Pe. Murilo, homem polêmico, homem apaixonado por Deus. Chegou o dia, tudo
arrumado, agora a missa de envio e recebo aquilo que desejei durante um ano de
silêncio, a resposta: “sim eu acredito na sua vocação” não saio de seus lábios,
mas veio em palavra escritas somando a página de um livro de sua autoria
dedicado a Diana Melo “A beleza da Entrega”. Como foi importante para mim,
saber que esse Pastor no silencio de seu coração rezava e acreditava nessa
jovem que não sabia o significado real da vida consagrada, mas tinha a convicção
de que Deus a chamava e disse “Sim”. Hoje entendo um pouco mais, tantas outras
pessoas, Irmãs mestras, Irmãs de testemunho, o meu querido confessor Pe.
Elielson, minha família que me ajudam a preparar esse terreno no qual sou feita
da melhor forma possível para dizer: Sim é por toda a minha vida que eu farei
os votos de Castidade, Pobreza e Obediência. Não para ser presa, nem para ser
miserável, mas livre da opressão dos bens; não ser reprimida, mas para assumir
a condição humana; e como disse Pe. Murilo: “A moça bonita tornou-se ainda mais
bela: soube aprender: a riqueza da pobreza, a liberdade da obediência, a
satisfação e o prazer da castidade, a grandeza da fraqueza, a paz do conflito
da convivência, a força nutriz da oração, a beleza da entrega total ao Senhor,
a profundidade das pequenas coisas, a satisfação de ser amada por Deus todos os
momentos, e aos que nos rodeiam pelo milagre da vida”. Nesse dia Agradeço a
Deus imensamente pelo dom da Vida Religiosa por tão grandioso mistério de amor
e a todos que me ajudam e rezam por mim e por todas as minhas co-irmãs. Muito
Obrigada!!!!!!!!!!!
Ir. Diana Cristina F.D.C.
TODAS AS FILHAS DO AMOR DIVINO, ASSOCIADOS, JUVENTUDE AMOR DIVINO(JAD), INFÂNCIA AMOR DIVINO (IAD), SE UNEM EM LOUVOR E AÇÃO DE GRAÇAS PELO DOM DA VIDA DE IRMÃ DIANA CRISTINA
TODAS AS FILHAS DO AMOR DIVINO, ASSOCIADOS, JUVENTUDE AMOR DIVINO(JAD), INFÂNCIA AMOR DIVINO (IAD), SE UNEM EM LOUVOR E AÇÃO DE GRAÇAS PELO DOM DA VIDA DE IRMÃ DIANA CRISTINA
Biografia da Irmã Maria Adelita Ferreira de Lima
Maria
Adelita nasceu em Brejinho, no Rio Grande do Norte, a 10 de setembro de 1942. É
a primeira filha do casal José Ferreira de Lima, falecido a 3 de agosto de 1992 e de Dona Luzia Alves
de Lima, que completou 85 anos em fevereiro deste ano, 2010, e continua
residindo na mesma cidade, em perfeita
atividade no lar e na sociedade. São 11 filhos do casal. 9 moram no Rio Grande
do Norte e duas irmãs, casadas, no Estado do Rio de Janeiro.
Adelita
foi batizada com dois meses e oito dias. Desde criança, gostava de ir para as
aulas de Catequese e fez a Primeira comunhão com 8 anos de idade. Aprendeu a
ler no colo de sua mãe, que lhe ensinou as primeiras letras e palavras. Tinha facilidade para aprender. Aos 7 anos foi para
a Escola, já sabendo ler e escrever. Crismada aos 12 anos, numa das Missões de Frei Damião, na mesma
cidade onde morava. Até a 4ª série, estudou em Brejinho, onde passava sempre
por média. Continuou os estudos em
Natal, capital do RN, no Colégio Nossa Senhora das Neves, dirigido pelas Filhas do
Amor Divino. Estudou 2 anos externa e 7 anos interna no mesmo Colégio. Aos 16
anos, teve certeza da sua vocação para a Vida Religiosa, encontrando muita
resistência no seio da família, de modo particular do seu pai que não aceitou
sua entrada no Convento. Foi um tempo de
muito sofrimento para a família e especialmente para ela que estava decidida a
ser Filha do Amor Divino. Entrou na Congregação no dia 7 de março de 1964. Nos
anos 1965 e 1966, fez o Noviciado e a primeira profissão, em 2 de fevereiro de
1967. Neste ano foi transferida para o Rio de Janeiro, onde faria Vestibular
para o Curso de Matemática, mas por causa das chuvas no Rio de Janeiro por
muitos dias nesse período, só pode chegar em março, recebendo uma turma de
Primário para ensinar na Escola São Francisco, no Bairro do Rio Comprido, onde
havia uma Comunidade das Irmãs da qual ela fez parte . No início de 1968, fez o
Vestibular para Matemática na Associação Universitária Santa Úrsula Faculdade
de Filosofia, Ciências e Letras. Passou e fez o Curso de 1968 a 1971,
Licenciatura Plena em Matemática, que dá o
direito de ensinar no 2º Grau,
Matemática, Física e Desenho Geométrico. Durante o Curso na Faculdade Santa
Úrsula, foram oferecidos outros Cursinhos dos quais ela sempre que possível,
participava também, como Curso de Radioisótopos (32 horas), Psicologia do
Adolescente, (14horas) e outros. Terminou
a Faculdade em 1971 e no início de 1972
voltou para o Colégio Nossa Senhora
das Neves onde ensinou Matemática e
Física no 2º Grau. Neste mesmo ano,
1972, fez um Curso Intensivo de 160 horas para Professores de Física, em Salvador – BA. Eram 30 Professores de vários Estados e, do
RN, a Irmã Adelita e um Professor da Escola
Técnica Federal de Natal. Participou do III Congresso Sacerdotal e VIII
Convenção dos Serra Clubes do Brasil em Curitiba no Paraná no período de 13 a
17 de outubro de 1976, XVI Congresso Nacional dos Estabelecimentos Particulares
de Ensino em Brasília, de 20 a 23 de setembro de 1978. Frequentou um treinamento sobre Dinâmica Metodológica do Ensino, em Fortaleza
– CE com duração de20 horas, de 4 a 8 de fevereiro de 1985. Participou do XV
Congresso Nacional de Educação sob o
tema “O Professor Necessário na Construção da Cidadania”, realizado em
Fortaleza, CE de 9 a 13 de julho de 1995. Professora de Religião, fez o Curso
de Formação Catequética Luz e Vida no Rio de Janeiro, terminando em Novembro de
1979. Curso de Formação de Catequistas,
com 30 horas/aula, também no Rio de Janeiro. Outro sobre Fé e Pedagogia, em
julho de 1974, para Professores e o
Curso de Iniciação Teológica com duração de 4 anos, de 1976 a 1979, sendo um
mês intensivo por ano em regime de internato e fazendo trabalhos durante o ano,
feito em Petrópolis, Estado do Rio de Janeiro. Fez o Curso de Aperfeiçoamento para
Diretores de Escolas de 2º Grau, de 25
de setembro a 1º de outubro de 1972 e foi Diretora do Educandário Nossa Senhora
Das Vitórias, Dirigido pelas Filhas do Amor Divino, nos anos 1979 e 1980.
Participou de várias Jornadas Pedagógicas na Província Nossa Senhora das Neves,
no Nordeste do Brasil. Professora de Religião, Física, Matemática e Desenho Geométrico. Trabalhou no Colégio das
Neves, de 1972 a 1975; no Colégio Cristo Rei
em Patos na PB, 1976 e 1977. Em 1978 foi para Assu, no Rio Grande do
Norte ali assumiu a Comunidade e
trabalhou como Diretora onde ficou até o ano de1980. Daí foi transferida para
Palmeira dos Índios, chegando no início de 1981, saindo em 2003 para Patos e daí, em 2005, para Emaús- sede da Província
e Casa de Formação, onde continua até
hoje. Atualmente, Superiora da Comunidade com 30 Irmãs e Secretária da
Província. Durante o tempo que morou em Palmeira dos Índios, ensinou no Centro Educacional Cristo Redentor
e no Colégio Estadual Humberto Mendes. Trabalhou também com o MOVAD (Movimento Vocacional
do Amor Divino) em Arapiraca, Diocese de Penedo, tendo feito o Curso para
Formadores durante 4 anos, nas férias de julho, em Salvador na BA, nos
anos de 1999 a 2002. Em
Emaús foi Mestra de Aspirantes em 2008 e 2009. No Governo Provincial Atual ela participa
como Conselheira.
Secretária Provincial
Biografia da Irmã Maria Gilvanete dos Santos Silva
Biografia da Irmã Maria Gilvanete dos Santos Silva
Sou natural de Macaíba-RN, filha de Francisco e Maria
Francisca, tenho 4 irmãs sendo a mais velha.
Nesta cidade fui catequista e legionária juvenil de onde
surgiu o desejo de conhecer a vida religiosa. Em seguida participei dos
encontros vocacionais e ingressei no convento.
Em 1995 ainda noviça,
iniciei a missão evangelizadora de tornar visível o amor de Deus no mundo passando pelas
comunidades de Salvador- BA; Nova Cruz – RN; Fortaleza- CE; Maracanaú-CE;
Araçaí-MG e atualmente Nova Cruz.
Durante este itinerário apostólico sublinho o empenho missionário, o aprendizado humano e
espiritual, a convivência fraternal, a assessoria e coordenação da Catequese,
Juventude, professora da Escola da Fé e
Escola Catequética, Infância
Missionária, Pastoral Familiar e outros. Missão assumida com alegria e doação.
Pois sou feliz e realizada na vocação de servir ao Reino de Deus.
Em 2005 fiz a profissão solene e no ano de 2010 ganhei um
precioso presente: conclui o curso de Bacharelado em Teologia no Seminário da
Prainha- Fortaleza.
O qual me possibilita contribuir com o processo formativo de agentes pastorais, catequistas e outros consolidando a formação espiritual e
doutrinária do Povo de Deus.
Minha gratidão a Deus pelo dom da vida, a minha querida
família, a comunidade religiosa e a Província.
Irmã Maria Gilvanete , FDC
A Ir. Amália nasceu no dia 18 de janeiro de 1922, em
Baixios, CE. Seus pais foram José Carlos de Morais e Joaquina Dias de Morais.
Entrou na Congregação das Filhas do Amor Divino, no dia 24 de julho de 1945, na
cidade de Assu – RN; no dia 25 de janeiro de 1946, foi admitida ao Noviciado,
em Assu. Fez os Primeiros Votos no dia 25 de janeiro de 1948 ainda em Assu e os
Votos Perpétuos no dia 02 de fevereiro de 1954 em Natal – RN.
Morou no
Educandário Osvaldo Cruz em Natal, cuidando dos órfãos especialmente costurando
para eles e orientando-os, nos anos de 1947 e 1948. Em seguida enviada para o
Rio de Janeiro onde ficou de 1949 a 1960 trabalhando em pastorais diversas. De
1961 a 1965 serviu como Superiora da Comunidade em Caicó – RN. De 1966 a 1973,
transferida para São Gonçalo do Amarante, RN onde foi Superiora e cuidava da
Pastoral da Saúde, quando construiu o Hospital Maternidade Belarmina Monte,
ainda hoje em plena atividade e serviço à população da cidade. Antes de
construir o Hospital, a Ir. Amália providenciava médicos e remédios para os
mais carentes, com atendimento no Salão Paroquial. De 1974 a 1978 foi para
Areia Branca – RN onde trabalhou na pastoral do trabalho fazendo com os
trabalhadores, residências em mutirão. O início desse trabalho aconteceu por
causa dos moradores da baixa maré, ou das chuvas que muitos viviam alagados ou
não tinham casa. Ela com um grupo de senhoras faziam um trabalho de
evangelização e tinham o objetivo de levar aquelas famílias para um local de
moradia mais digna. A Diocese de Mossoró ajudou, o Prefeito doou um terreno e
concedeu os carros com barro e areia para a confecção de tijolos e assim
conseguiram ajudar a muitas famílias carentes. De 1978 a 1981 voltou para São
Gonçalo e continuou com o mutirão de residências também aí, além da Pastoral da
Saúde e o Hospital. De 1982 a 1985, voltou para Areia Branca continuando os
mutirões de residências. De 1986 a 1990 em Pedro Velho - RN como Coordenadora
de diversas Pastorais. 1991 a 1992 morou em Parnamirim trabalhando em diversas
pastorais. Em 1993 e 1994 ficou em Santa Cruz com Centro Bíblico e pastoral dos
doentes. Sempre era muito habilidosa em costura e enfermagem do Lar.
Daí veio
para Emaús, Comunidade da Vila Maria onde ainda serviu por muito tempo. Com o
coração enfraquecendo e aparecendo outras doenças com a idade, sofria com
paciência e sempre foi uma pessoa bondosa até o fim de seus dias. Com os seus
90 anos, muito fraquinha, levada para o Hospital Promáter, faleceu na UTI desse
Hospital, em Natal, no dia 12 de junho de 2012, e os médicos deram como causa
da morte, choque céptico devido a bronco pneumonia aguda e embolia pulmonar.
Foi sepultada no dia 13, no Cemitério Morada da Paz, em Emaús, Parnamirim, onde
houve Missa às 14 horas e em seguida o sepultamento, contando com a presença de
Irmãs de várias Comunidades, parentes e amigos e um grande número de pessoas
vindas de São Gonçalo do Amarante. Certamente está recebendo a felicidade pelo
bem que proporcionou a tantos pobres aqui na terra. Que o Senhor a receba na
contemplação da Sua Face onde se encontram os bem-aventurados para sempre.
Secretária Provincial
Biografia da Irmã Maria Áquila Vieira de Lucena
FAMILIA
Nasci na véspera da Festa de Nossa Senhora das Neves, numa
chuvosa madrugada de 04 de agosto, em meio a grande temporal que desabava sobre
a cidade de Patos, Paraíba. As águas do rio Espinharas haviam crescido,
encobrindo a ponte que ligava o bairro de São Sebastião ao centro da cidade.
Meu pai não conseguiu chegar à casa da minha avó para que viesse assistir à
minha mãe. Assim, fui trazida ao mundo pelas mãos de uma parteira cega,
contou-me ele!
Nos joelhos da minha
mãe aprendi a rezar. Ela foi a minha primeira catequista. Posso afirmar também
que ali nasceu minha vocação.
A decisão não foi bem acolhida em casa. Minha mãe me achava
jovem demais, 16 anos, queria que eu esperasse até os 18! Meu pai se opunha
terminantemente, não queria que eu saísse de casa, recusava-se a dar o
consentimento para tal. Que fazer? Não sei como veio a idéia, decidi entrar em
“greve de fome” até que obtivesse o SIM de ambos. Creio que a greve não foi
além de 24 horas, minha mãe me chamou e disse que obteria a assinatura de meu
pai para que eu pudesse partir... e, assim foi. Dura foi a despedida. Meu pai
nem olhou para mim quando lhe pedi a bênção. Minha mãe me pressionava,
perguntando se eu não tinha coração, se ele era de pedra e se era aquele o
presente que eu lhe dava no dia do seu aniversário, 13 de maio de 1953, quando
deixei meu lar, após o jantar! Meus avós maternos me levaram até o colégio de
onde eu partiria para Natal-RN. Chorei amargamente ao abraçar cada um em casa,
meus irmãos pequenos, mas a força de Deus me arrancou... A noite foi dura,
escura. No dia seguinte, ao passar pela cidade, meus olhos ainda contemplaram a
figura de meu pai que, cedinho, estava indo para o açougue... Ele me viu também
e nossos olhares se fixaram até quando o carro me fez perdê-lo de vista... Meu
coração dava voltas dentro de mim e chorei mais uma vez.

Na minha alma, dois sentimentos sempre se misturam, se
entrelaçam, de maneira muito forte: a sede de Deus, o amor ao silêncio e à
contemplação e o apelo da Evangelização – testemunhar e proclamar o AMOR
DIVINO.
Concluída minha missão junto ao Governo Geral, voltando ao
Brasil, fui convidada para integrar o grupo de Irmãs que abria um novo trabalho
missionário em Basrreira-CE. Foi curta a minha permanência ali. De lá fui
chamada pela Superiora Geral, para servir nos Estados Unidos, como Mestra de
Noviças na Província “Holy Trinity”, ali atuando de 2003 até 2005. Antes de
haver concluído a minha “Missão” nos Estados Unidos, a Superiora Geral, Irmã
Lucyna Mroczek consultou-me sobre a possibilidade de abraçar uma nova missão,
desta vez em Uganda, África, para exercer a função de Mestra de Noviças e, como
me disse ela, “além da formação das primeiras Filhas do Amor Divino africanas,
dar continuidade ao carisma da Congregação”. Fui tomada de surpresa ao receber
tal empenho a esta altura da vida e perguntei-lhe: “É este o presente que você
me oferece pelo meu Jubileu de Ouro?”
Ela me respondeu: “Não, este é o presente que você vai dar a Deus!...
Não tive mais palavras. “Quando o mistério é grande demais, a gente não ousa
desobedecer, interrogar...”, somente
silenciar e adorar! Obedeci, como Abraão, apoiando-me tão somente na Cruz
abraçada há 50 anos pela minha Profissão Religiosa e, na fé e na confiança que
o Senhor caminhava à minha frente, parti....
“Missão é partir, caminhar, deixar tudo, sair de si, quebrar
a crosta do egoísmo que nos fecha no nosso EU.
Irmã M. Áquila Vieira de Lucena, FDC
Sou
como você me vê
e algo mais!Biografia da Irmã Maria Áquila Vieira de Lucena
Demos graças a Deus!
“Bendize a Jahweh, ó minha alma, e tudo o que há em mim ao
seu santo nome” (Sl 103,5).
Na aurora do meu Ano Jubilar, na celebração dos 50 anos de
serviço a Deus, como religiosa, Filha do Amor Divino, tenho muito a agradecer a
Deus! Ao longo de minha vida Sua inefável proteção, a suave e terna presença do
Seu Amor me envolveram em cada momento, em cada etapa da minha caminhada.
Estas reflexões são como que um hino de louvor, de ação de
graças por todas as maravilhas que em mim realizou!
O temor de Deus, a absoluta confiança na Providência Divina
e o cumprimento de Sua vontade encimavam as muitas virtudes que ornavam o
coração da minha mãe. “Na minha casa e no meu coração há sempre lugar para mais
um! Deus me deu, Deus me ajudará a criar!...” Era o que sempre dizia, em meio a
nossa pobreza, cada vez que o lar era abençoado com um novo rebento. “Como
oliveira frondosa na casa do Senhor”, ela deu a luz à 17 filhos; viu crescer e
vencer na vida 13 e adotou ainda uma menina. Meu pai possui uma fé simples e
ingênua como o seu próprio ser. Cada filho era também acolhido e recebido com
uma alegria incontida. Quando um nascia no meio da noite, ele logo acordava
todos os demais para ver e beijar o recém nascido, o novo irmão!... Isto nos
ensinava a amar-nos uns aos outros. Como suas virtudes, posso destacar a
fidelidade, a alegria no servir, a caridade e o grande coração que se sente
sempre feliz quando a casa está cheia, abrigando filhos, netos, bisnetos e
tataranetos. Na minha casa jamais faltou uma criança... e isto é uma bênção
divina.
A grande e bela família com que Deus me envolveu foi a
primeira escola de vida fraterna, de vida comunitária. Nela aprendi a amar,
servir, perdoar, renunciar.... cada dia, uma nova lição. Minha mãe era a grande
mestra, a grande pedagoga. Quando deixei meu lar para seguir o chamado de Deus,
éramos somente nove: cinco meninas e quatro meninos, depois nasceram mais
quatro meninas, completando o belo número de treze! Formamos uma família unida,
alegre, “festeira”, com grande senso de solidariedade onde cada um sempre pensa
nos demais, cada um que se formava devia ajudar na educação do que vinha
depois... O amor e a alegria sempre circularam na nossa humilde casa.
Costumamos dizer: “tocou em um, tocou em todos”.
VOCAÇÃO
Na entrada da nossa casa havia um belo quadro do Coração de
Jesus, que fora solenemente “entronizado” e que me lembrava constantemente a
presença de Deus entre nós. Da porta de casa a gente podia divisar a grande
cruz, a custódia que encimava a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Guia, como
uma flecha apontando para o céu.
As festas e as novenas em honra da nossa padroeira, os
cantos e as procissões, as ladainhas e as bênçãos, a igreja envolvida pelo
incenso que subia do altar para o Alto, enchiam também a minha alma que se
sentia atraída e fascinada pelo Invisível!
Nas madrugadas costumávamos acordar para a Missa das Cinco.
Sonolenta, eu acompanhava minha mãe e minha avó, muitas e muitas vezes. Meu
coração se extasiava ao contemplar o céu ainda cheio de estrelas. Sempre fui
atraída pelo Infinito. Muitas vezes eu me deitava à noite na calçada para
admirar o céu, as estrelas. Até hoje fico a pensar se existe um céu mais belo
que o céu enluarado e estrelado do sertão.
Exemplos de piedade, devoção, doação e serviço aos pobres
ficaram impressos no meu coração pelo testemunho de minha mãe... Após
incansáveis horas de aula, como professora que era, após longa caminhada sob um
sol escaldante, voltando da escola lá no bairro de São Sebastião, chegando em
casa, ainda encontrava tempo e força para costurar roupinhas para as crianças
mais pobres que as suas... Membro da Liga Feminina da Ação Católica, minha mãe
era também secretária daquela associação. Nas solenidades, festas e procissões
era também a porta-bandeira da mesma. Cada segundo domingo participava das
Manhãs de Formação no Colégio Cristo Rei, sempre sob a orientação de Pe.
Fernando Gomes. Eu a acompanhava, mas ficava sentadinha na secretaria com uma
das Irmãs, até o fim do encontro.
O ano de 1948 marcou o início de uma ausência de casa, a fim
de continuar meus estudos na cidade de Fortaleza, em casa de meu tio que se
dispusera a custear a minha educação, podendo assim ajudar à irmã carregada de
filhos. Era o desabrochar da minha adolescência e os primeiros sinais da mão de
Deus a me acenar. Embora fosse aluna de uma escola pública, o Instituto
Educacional do Ceará, antiga Escola Normal, oferecia aulas de ensino religioso
e retiro anual para suas alunas. Em frente a este colégio, do outro lado da
rua, situava-se o grande colégio católico “Imaculada Conceição”. Era algo que
me parecia misterioso e distante. Nas imediações, um orfanato me fazia
entrever, muitas vezes a presença das Irmãs conduzindo as crianças em seus
uniformes xadrez, passeando pelas calçadas, rumo à Praça do Ferreira. Sentia-me
inquieta.
Num dos retiros, entre os muitos livros com que sempre
alimentei meu espírito, caiu-me nas mãos a vida de Santa Louise de Marillac.
Fiquei impressionada, poderia também eu dedicar a minha vida a Deus como
Louise? A idéia aninhou-se no meu coração.
Concluído o 1° grau, minha mãe me trouxe de volta a Patos e
fui estudar no Colégio Cristo Rei, cursando o 1° ano pedagógico. Como sempre,
jamais me faltou um livro em minhas mãos. Uma das Irmãs me emprestou a
“Imitação de Cristo”. A linguagem era difícil para mim, porém, muitas
perguntas, muitas questões se levantaram do meu coração: o que fazer da minha
vida? ”De que vale ao homem ganhar o mundo inteiro se vier a perder a sua
alma?” Era a questão da santidade, e eu disse: “quero ser santa”! Nos meus cadernos,
desde as primeiras séries do ginásio, eu costumava escrever: “meu coração está
inquieto, ó Deus, até que descanse em Ti!”. Realmente, a partir daí, tomei a
decisão de seguir o chamado de Deus. “Deixa tudo e segue-Me”. Não por mérito
meu, mas desde o berço Ele foi preparando a minha alma, foi-me seduzindo,
deixando-me inquieta.
NOS CAMINHOS DE DEUS
Abraçando a Vida
Religiosa, ao longo dos anos, pensava que todo esforço para progredir no
caminho da perfeição, provinha de mim mesma. Percebi, um dia, que tudo provém
de Deus e que “se o Senhor não construir a Sua casa, em vão trabalharão os
construtores...” Aprendi a deixar-me conduzir por Ele, a escutar Sua voz nos
acontecimentos da vida e a pedir-lhe a graça de responder SIM às suas pro +
vocações que não têm sido poucas!... Descobri que os dons que Ele me concedeu
tinham que ser postos a serviço do Reino! Nas minhas veias corria, pulsava, o
ardor missionário, a grande paixão pela evangelização. Ele foi preparando e
abrindo espaços para que eu me dedicasse à proclamação do Evangelho: no serviço
às paróquias, na pregação de retiros, encontros, na formação de líderes, na
Missão, no serviço à Congregação onde atuei como professora, Mestra de
Postulante, Noviças, Junioristas, Superiora, Conselheira Provincial e Geral...
Nestes últimos anos, as palavras do profeta Isaias têm norteado minha entrega
nas mãos de Deus: “Eis-me aqui Senhor, eu vim para fazer a tua vontade”. È
muito difícil a obediência, mas quero ser fiel ao que prometi. “Felizes aqueles
que confiam no Senhor” (Sl 128, 1).
Olhando o caminho percorrido, vejo falhas, tropeços,
infidelidades, mas Deus sempre foi fiel e jamais abandonou a obra em mim
iniciada. Ele me teceu no seio materno e conhece fibra por fibra do meu ser
(cf. Sl 138). Pondo a minha mão na Sua mão pude levantar-me e olhar nos Seus
olhos, sentindo a confiança e a esperança em mim depositada e que perdura para
sempre.
NOS CAMINHOS DA MISSÃO

O Concílio Vaticano II desencadeou uma avalanche de
sentimentos que vieram sacudir a minha paz interior. As inquietações
fervilhavam em meu coração como se fosse um ‘vespeiro’ atingido por um pé
incauto no meio de um lajedo. Todas as minhas potencialidades missionárias
latentes despertaram no meu íntimo, como uma torrente violenta que eu já não
podia conter. Tive apenas que me deixar levar e procurar romper com tudo o que
me prendia à uma Vida Religiosa que clamava por RENOVAÇÃO. Nas minhas mãos
havia caído o livro “Promoção Apostólica da Religiosa”, do Cardeal Suenens que
viera jogar mais lenha no fogo desencadeado. Outro acontecimento que abalava a
todas que lutavam por mudanças, por renovações foram as participações nos
Cursos por um Mundo Melhor” que se realizaram ao longo da década de sessenta!
Constatei o quanto eu poderia dar do ponto de vista
religioso e apostólico se pudesse me abrir às perspectivas apostólicas que se
descortinavam pouco a pouco como um novo horizonte para a Vida Religiosa. A
experiência iniciada por Dom Eugenio de Araújo Sales, então Arcebispo de Natal,
a de entregar paróquias às religiosas, iniciada em outubro de 1963, em Nisia
Floresta-RN, batizada pelo povo de “IRMÃS VIGÁRIAS” veio ao encontro dessas minhas inquietações.
Compreendi que a Igreja começava a acionar essa força viva que eram as
religiosas, colocando-as a serviço do povo de Deus. Após a conclusão de um
curso de um mês sobre a importância desse campo que se abria para a vida
religiosa, fui solicitada para integrar a Equipe Feminina do Mundo Melhor.
Minhas superioras não me permitiram, não podiam liberar-me da Coordenação do
Curso Cientifico no Colégio N. Sra das Neves, das aulas de Matemática, Física e
Ensino Religioso do mesmo...
Um retiro anual pregado por Pe. Helio Campos para as alunas
do Curso Científico naqueles anos, levantou enormes questionamentos tanto para
elas, como para mim. Fruto dessa inquietude foi a mobilização de todas elas,
como voluntárias, para um trabalho de final de semana em São Gonçalo do
Amarante-RN, partindo para a evangelização nas ruas, quase sempre à noite,
realização de Lucernários ou Oração da Noite, Estudos Bíblicos, enfermagem
domiciliar, visitas aos doentes e atendimento ambulatorial num Postinho
improvisado, ajudadas que fomos pelos acadêmicos de medicina, alguns deles
namorados das minhas alunas. No campo educacional, dispuseram-se elas a se
tornar Monitoras da Escola Noturna para empregradas domésticas no CNSN, à
noite, a fim de que “no mesmo banco em que elas, as alunas, se sentavam,
pudessem também sentar-se a sua empregada...”, para que fossem alfabetizadas,
preparadas para os sacramentos... Era tudo o que pude conseguir para não ficar
presa ao trabalho escolar, para dedicar-me ao apostolado direto, preparando
assim a minha libertação total para a evangelização. Quando as Irmãs assumiram
a Paróquia de São Gonçalo, esperei ser integrada à nova comunidade, tal não se
deu. Continuei atuando ali somente nos fins de semana, concluindo as aulas no
final do sábado e correndo para pegar o ônibus para São Gonçalo, voltando de lá
no início da segunda feira para me jogar de novo nas salas de aula. “A minha
hora não havia chegado...” A ocasião se apresentaria depois com um convite de
Dom Eugenio Sales, agora Administrador Apostólico de Salvador, para que a
Congregação assumisse uma Paróquia na periferia de Salvador. Abriu-se a
comunidade, em Pirajá, a 3ª de uma série de paróquias entregues à religiosas,
dentro de um grande projeto, o de abraçar toda a periferia de Salvador, como um
cinturão, desde a Suburbana até Simões Filho, para uma evangelização e animação
pastoral. Integrei então esta nova comunidade.
O trabalho consistia no desenvolvimento do sentido comunitário,
preparando o nascimento das CEBs, treinamento e formação de líderes, estímulo à
promoção humana, abertura de Clubes de Mães, de Jovens, catequese, cursos de
artesanatos, alfabetização, profissionalizantes, projetos sociais, entre
outros. Acrescia-se ainda a promoção da Evangelização, a organização do culto,
a animação da liturgia... A Paróquia cresceu e fortificou-se, tornou-se
“modelo” para muitas outras; abriu-se como campo de estágio para os alunos do
ISPAC (Instituto Superior de Pastoral Catequética), recebeu visitantes e
observadores de vários regionais da CNBB e ainda a visita ilustre do Cardeal
Suenens, da Bélgica e do Cardeal Hermenegildo Florit, de Florença, Itália,
entre os honrosos visitantes. Bispos e políticos visitaram nossa pequena, humilde
e histórica Paróquia de São Bartolomeu, em Pirajá/Salvador-BA. Ao lado do
trabalho pastoral, fui requisitada para trabalhar como secretária do Cardeal
Dom Eugênio de Araújo Sales e depois do
Cardeal Dom Lucas Moreira Neves, dando expediente na parte da tarde no Palácio
da Sé. Era um trabalho cansativo, mas me sentia feliz por trabalhar diretamente
com a Hierarquia da Igreja e, além de prestar tão importante serviço à Igreja
era também um meio de assegurar o sustento para a comunidade. Entre idas e vindas,
foram mais de 15 anos a serviço da Igreja da Bahia, dedicados à formação,
evangelização e desenvolvimento do povo simples, do povo humilde de Pirajá.
Em 1989, após ter sido eleita Vigária Geral da Congregação,
deixei a Bahia para servir diretamente no Governo da Congregação, como
Conselheira Geral, cargo que exerci de 1989 a 2001. Responsável, nesse período,
pela área missionária, pude contribuir para a abertura e implantação da nossa
Missão em terras africanas, Uganda, em 1998, realizando o grande sonho de nossa
Madre Francisca Lechner, o de abrir uma missão na África. Parti com o primeiro
grupo de Irmãs a abertura desta frente missionária e por lá permaneci durante
três meses.
Assumir a Missão em Uganda foi como que chegar ao fim do meu
caminho vocacional que foi-se fazendo cada dia mais exigente. Foi para mim, o
poder alcançar o ÁPICE de tudo quanto divisei no despertar de minha juventude.
Deus foi me conduzindo por caminhos, por veredas cada vez mais estreitas. Foi
como que “beber do Cálice”, abraçando mais uma das provocações de Deus...
Sentia-me pequena, fraca e temerosa, sem saber o que me aguardava. Só uma coisa
me dava paz: saber que a OBEDIÊNCIA me conduzia para onde Deus me aguardava,
onde me chamava... Há um versículo bíblico com o qual me identifico plenamente
por associá-lo ao NOME que me foi dado na entrada do meu Noviciado: ÁQUILA.
Gosto de rezar e repetir sempre com o salmista “É Ele quem sacia teus anos de
bens e, como a da águia, tua juventude se renova” (Sl 103,5). E, no livro do
Deuteronômio posso ler ainda “Como a águia que vela por seu ninho e revoa por
cima dos filhotes, ele o tomou, estendendo as suas asas, e o carregou em cima
de suas penas” (Dt 32,11).
Concluo, com um poema de Dom Helder Câmara que dá a sua
visão do que seja MISSÃO:
É parar de dar volta ao redor de nós mesmos como se fôssemos
o centro do mudo e da vida.
É não se deixar bloquear nos problemas do pequeno mundo a que
pertencemos: a humanidade é maior.
Missão é sempre partir, mas não devorar quilômetros. É
sobretudo abrir-se aos outros como irmãos, descobri-los e encontrá-los.
E, se para encontrá-los e amá-los é preciso atravessar os
mares e voar lá nos céus, então missão é partir até os confins do mundo.”
Neste
conjunto de fotografia e autorretrato contemplamos um especial elaborado. Trata-se de Ir. Myriam Serrano Lyra (1917-2007)
dialogando com a sua autorepresentação. Um confronto com a realidade de si mesmo, com a sua verdade,
talvez um diálogo com Eu profundo, descobrindo e afirmando
sua própria identidade. Expressa um possível
encontro, bem parecido com ela: Sou como
você me vê e algo mais.
Conhecendo Ir. Miriam e, a partir da nossa
convivência, no tempo em que foi Vice–Mestra da Candidatura e do Noviciado,
mais tarde como coirmã na Comunidade do Colégio Nossa Senhora das Neves podemos
pensar como Friedrich Nietzsche: Há (neste especial elaborado) uma inocência na admiração: é a daquela a quem ainda não passou pela
cabeça que também ela poderia um dia ser admirada. Admiramos e lhe agradecemos por
tudo quanto “pintou em nossa alma”.
Portanto, trilhando o caminho existencial de sua vocação, o
autorretrato, alvo do seu próprio olhar, ganha apenas o sentido de um mapa
de sua alma. Não se trata de narcisismo.
É um olhar atento aos momentos de máxima
inspiração, que brota de uma visão desinteressada do mundo. No estado estético,
é indiferente se a contemplação do pôr do sol ocorre a partir de uma prisão ou
de um palácio, se os olhos de quem vê pertencem a um mendigo ou a um rei, pois
nesse instante a contemplação é impessoal; quem frui o belo é o claro olho cósmico. Assim, Ir. Miriam erigiu
monumentos duradouros de paz de espírito. Tem-se aí um tipo especial de alegria estética vinculada ao puro conhecer de seus caminhos.
É uma intuição puramente objetiva de um espírito direcionado pelo olhar oriundo
de uma visão desinteressada do mundo. ( cfr SCHOPENHAUER, A. O mundo
como vontade e como representação, pp. 265-72.).
Desta forma
compreendemos também que o autorretrato não é um mero exercício estético, mas proposta de um diálogo consigo mesmo,
solitária em seu processo de individuação calmo e sereno. Assim, comunica um conhecimento puro de sua
trajetória, a artista numa alma de mulher consagrada. Os pensadores cristãos e
muitos misticos afirmam que o
autoconheimento e o conhecimento de Deus, caminham lado a lado.
Quantas
vêzes a ouvi dizer:Estar aqui no meu atelier, é estar em mim,
conversando e brincando comigo e até rindo de mim mesma, das minhas macaquices,
agradecendo e louvando a Deus, que é tão generoso comigo. E assim ia captando o discurso do retrato
humano.
No autorretrato ela mostra plasticamente
o indivíduo como acentuação da ideia de humanidade enquanto obra do
Criador, imagem e semelhança de Deus. Observando o seu rosto, seus olhos,
os óculos, o pincel quase escondido, capta-se a expressão, o reflexo de um
conhecimento que não é direcionado às coisas isoladas, parece que ela aprendeu
a essência inteira do mundo e da vida. Na sua simplicidade, sem os requintes
acadêmicos, mas intuitivamente, manifesta em sua obra a suprema sabedoria
cultivada na fé.
Percebemos
na obra o Ápice de toda a sua arte. Aqui o tempo da autora se mistura com o tempo da sua criação. Seu
imaginário se move de um suporte a outro, ou seja, de si próprio para a
fotografia e desta para a tela onde a linha delineia o que ela produz na
autoimagem. Simultaneamente, consegue
apresentar, em rabiscos ou pinceladas , a
lógica do visível a serviço do invisível. É a transfiguração e a interprenetação dos dois planos,
humano e divino. A pintora e a mística, numa obra que demarca o mais fielmente
possível o papel desta Mestra da
Fisionomia, marca de seu pensar estético.
Outras tantas fisionomias de sua autoria também possuem uma objetividade essencialmente expressiva em
sua humanidade, que em nada deve aos rostos sagrados de Rafael. Todas parecem
que fitam e querem dizer algo ao espectador. Assim, registrando perfeitamente a
figura humana, Ir Myriam conseguia capturar
as características primordiais do personagem. No que reproduzia, estabelecia por meio do contraste cromático, um jogo de
textura a ponto de o espectador sentir como reais o olhar, o sorriso, alguns traços da
fisionomia e até o tecido das vestes.
Então, de sua forma histórica, restaram para a
posteridade outros significativos traços que, podem ser sintetizados aqui, na
fotografia que sugerimos. Através
do rosto que é a moldura do seu ser, sua presença humana permanece viva na imagem e na função que esta exerce. Muita
coisa não é possível ver. Mas visualizando o autorretrato saltam aos olhos grande naturalidade e realismo. Este é o
legado plástico capaz de
transcender do que ficou registrado na memória e nos corações de quem teve o
privilégio de com ela partilhar a vida, os ideais e a missão, como “Filha do
Amor Divino”. Ela tinha razão em dizer: Sou como você me vê e algo mais.
Ir. Vilma Lúcia de Oliveira, FDC.
Ir. Rogéria de Souza, nasceu no
dia 24 de agosto de 1939, em Areia
Branca-RN, filha de Luís João de Souza e de Elvira Isabel de Souza. Recebeu, na
pia batismal, o nome de Maria Auxiliadora. Entrou na Congregação das Filhas do
Amor Divino, no dia 22 de fevereiro de 1959, em Natal-RN, no Noviciado, dia 02
de fevereiro de 1960. Fez os primeiros votos no dia 02 de fevereiro de 1962 e
os votos perpétuos, no dia 02 de fevereiro de 1967, todos em Natal-RN. Fez o
Curso Pedagógico, ISPAC e CIT. Lugares onde trabalhou: Palmeira dos
Índios, Natal, Fortaleza, Salvador, Caicó e Currais Novos. Exerceu os seguintes
trabalhos: Educadora da Fé, Vice Diretora, Superiora de Comunidade, Mestra de
Postulantes, Mestra de Junioristas, Provincial, Conselheira Provincial e
Coordenadora das Pequenas Comunidades. Atualmente, é membro da Comunidade Nossa
Senhora das Neves, em Natal-RN.
Irmã Rogéria de Souza
( Dados da Secretária Provincial)
Irmã Maristela Varela
Ir. Maristela nasceu em Santana
de Matos - RN, no dia 10 de setembro de 1917, filha de João Lucas da Silva e de
Maria Luiza Varela da Silva. Foi Batizada com o nome de Noêmia. Entrou na
Congregação das Filhas do Amor Divino, no dia 29 de junho de 1939, no
Noviciado, dia 25 de janeiro de 1940, fez os primeiros votos, dia 25 de janeiro
de 1932 e os votos Perpétuos, dia 25 de janeiro de 1948, tudo em Assu – RN.
Lugares onde trabalhou: No Osvaldo Cruz, em Natal – RN, Palmeira dos Índios –
AL, Rio de Janeiro – RJ e Taguatinga – DF. Atualmente reside na sede da
Província, em Emaús. Trabalhos principais: Professora de corte e costura e
habilidades práticas: costureira, culinária
e trabalhos domésticos.
( Dados da Secretária Provincial)
Onde encontro biografia a irmã Maria Aquinata Eibel?
ResponderExcluirSaudade meu tempo do Ginásio Jesus Menino, Currais Novos,RN, fui aluna da irmã Antônia, irmã Ananilia, irmã Suzana, irmã Gilberta e irmã Perpetua.
ResponderExcluirEu lembro da irmã. Geralda e tambem da irma Terezinha. Tem biografia delas?
ResponderExcluirTabem lembro de uma menina que se chamava. Telma.
ResponderExcluirGostaria se alguem tem fotos das meninas dessa época. Eu fiquei no orfanato e não tenho nenhuma foto.
ResponderExcluirFANTASTICA FONTE DE INFORMAÇÃO
ResponderExcluirGOSTARIA DE VER A BIOGRAFIA DE Irmã Joana Campos
ResponderExcluirfui aluna da congregação em Assu.
ResponderExcluirprocuro dados sobre irmã Custódia Vale falecida em Caicó em 1986