quinta-feira, 5 de julho de 2012


REFLEXÃO PATRÍSTICA 05/07/12

Homilia aos neófitos sobre o Salmo 41, de São Jerônimo, presbítero

(CCL 78,542-544)

(Séc.V)

Entrarei no lugar do admirável tabernáculo

Como o cervo deseja as fontes das águas, assim minha alma te deseja, ó Deus. Como
aqueles cervos desejam as fontes das águas, assim os nossos cervos que, afastando-se do
Egito e do século, afogaram o faraó em suas águas e mataram todo o seu exército no
batismo, depois da morte do diabo, desejam as fontes da Igreja, isto é, o Pai, o Filho e o
Espírito Santo.

Que o Pai seja dito fonte, encontramos em Jeremias: Afastaram-me a Mim, fonte de
água viva, e cavaram para si cisternas rachadas que não podem reter as águas. Sobre o
Filho, lemos em certo lugar: Abandonaram a fonte da sabedoria. E sobre o Espírito
Santo: Quem beber da água que eu lhe der, dele brotará uma fonte de água que jorra
para a vida eterna, que logo o Evangelista explica tratar-se do Espírito Santo nesta
palavra do Salvador. Prova-se assim claramente que as três fontes da Igreja são o
mistério da Trindade.

A esta Trindade aspira o fiel, aspira o batizado que diz: Minha alma tem sede de Deus,
fonte viva. Não quer ver a Deus apenas de leve, mas com todo o ardor, todo abrasado
em sede. Com efeito, antes do Batismo, os futuros cristãos falavam entre si e diziam:
Quando irei e me apresentarei diante da face de Deus? Agora obtiveram o que pediam:
vieram e ficaram diante da face de Deus, apresentaram-se ante o altar, perante o
mistério do Salvador.

Admitidos no Corpo de Cristo e renascidos na fonte da vida, proclamam com confiança:
Entrarei no lugar do admirável tabernáculo, até a casa de Deus. A casa de Deus é a
Igreja, é ela o admirável tabernáculo, nele mora a voz da exultação e do louvor, o ruído
dos convivas.

Dizei, portanto, vós que agora, guiados por nós, vos revestistes de Cristo, fostes
retirados pela palavra de Deus do mar deste mundo como um peixinho preso pelo anzol.
Em nós, porém, a natureza se transformou, pois enquanto os peixes morrem, quando
retirados das águas, a nós os apóstolos nos tiraram e pescaram do mar deste mundo para
que de mortos passemos a vivos. Enquanto estávamos no século, com os olhos nas
profundezas, nossa vida se passava no lodo. Depois de erguidos das ondas, começamos
a ver o sol, começamos a olhar a verdadeira luz; e deslumbrados pela imensa alegria
 dizemos a nossa alma: Espera em Deus porque o louvarei, a ele, salvação de minha
face e meu Deus.

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